"Mas teve um momento em que eu pensei que fosse dar certo. Que achei que fossemos o certo na vida um do outro. Mas não foi. Não fui. Não fomos. Não somos."
— Quietude.
Era natal.
Aquelas árvores iluminadas por toda a cidade, todo mundo alegre e animado, esperando presentes e mais presentes de Papai Noel. Todo mundo parecia feliz. Todo mundo, menos eu.
Momento história trágica:Era natal quando tudo acabou. Eu e Nick namoravamos há dois anos e na véspera de natal... TCHARAM! Ele me vem com uma desculpa master esfarrapada e acaba tudo, deixando a Ava aqui chorando rios e rios de lágrimas por causa daquele idiota. E, um ano depois disso tudo, eu continuo pensando nele!
Fim do momento história trágica.
Nick é realmente minha pedra no sapato. Uma bela pedra no sapato, é bom deixar claro. E uma pedra tão grande e chata que eu estou aqui, na frente da loja que ele trabalha, tentando criar coragem para entrar e vê-lo. Mas, o que eu, uma jornalista de artes, faria numa loja de instrumentos musicais? Eu não sei tocar nem campanhia! Mas, qual foi, Ava ? Você comprou o presente pro garoto, escreveu um cartão MEGA meloso e está aqui, na véspera de natal, um ano depois que ele te deu um pé na bunda, e não vai entrar pra falar com ele?
Ok, eu não sou tão idiota assim! É só contar até três e BUM: você entra.
1.
2.
3.
Pronto.
Comecei a encarar a loja. Baterias, guitarras, baixos, saxofones (eu já disse que amo saxofone? um dia, eu vou aprender a tocar!). Ora merda, cadê o Nick?
— Nick, Nick, Nick... — Comecei a procura-lo por todos os cantos até que...
— Posso ajudar? — Alguém tocou meus ombros e eu quase morro do coração.
— CÉUS, VOCÊ QUASE ME MATA AGORA, GAROTO! - gritei
— Desculpe, mas, eu sou novo aqui, não entendo muito disso tudo e... — Ele falou, meio nervoso.
— Não precisa se desculpar! — Eu sorri. — O Nick tá aqui?
— O Nickolai? Não, ele não veio trabalhar hoje... — Ele respondeu, vendo meu sorriso murchar na hora. — É muito importante? Por que, se for, eu posso dar o recado...
— É, é realmente importante. — Dei de ombros. — Bem, obrigada!
— Olha, se quiser, a namorada dele também trabalha aqui. — E apontou para o balcão.
Espera ai: ele disse namorada?
— Aquela dali é a namorada dele? — Eu encarei a loirona tatuada com cara de boêmia (para não dizer bêbada) atendendo alguém no balcão.
— É, é a Stacy. — Ele explicou.
— COMO É QUE ELE ME TROCOU POR AQUELA FREAK? — Quase gritei.
— Bom saber que você tem algo contra Freaks... — Eu ouvi o garoto sussurrar.
Foi aí que eu o olhei pela primeira vez. Ele tinha um cabelo freak, usava roupas freak, tinha um jeito freak. Mas, ele era diferente!
— Desculpa, menino. — Sorri, timidamente.
— Daniel. — Ele estendeu a mão.
— Ei, Daniel. — Dei minha mão para ele apertar. — Ava.
— Bem, Ava , eu não vou perguntar se você é, já foi ou quer ser namorada do Nick, ok? — Ele sorriu.
Cara, ele tinha um sorriso tão bonito...
— Só quero saber se você vai fazer algo hoje à noite...
— Espera, você tá me chamando para sair? — Uau. — Sabe, eu posso ser uma psicopata, uma maniaca, louca, assassina em série... Como você sabe que eu não sou tudo isso?
— Andando com quem eu ando, eu aprendi a reconhecer as pessoas loucas, acredite! — Ele sorriu. — Eu vou pegar minhas coisas, a gente podia dar uma volta, topa?
— Mas, você não tem que trabalhar?
— Meu horário acabou faz 15 minutos! Quando você entrou, eu ia me preparar para sair...
— Então, por que você me atendeu? Vão te pagar hora extra?
— Não, eu quis atender você por quê... — Eu vi que as bochechas dele coraram. — Por quê você é bonita...
Nesse momento, não era só ele que estava corado, de verdade.
— Eu vou lá, me espera aqu! — Ele tocou as minhas mãos, carinhosamente e saiu.
xx
Me chame de louca, mas, eu estou andando pelas ruas de New Jersey com um garoto esquisito que acabei de conhecer e o máximo que sei sobre ele é o nome, idade e que ele tem uma banda chamada My Chemical Romance.
— Isso que você tá carregando... São presentes? — Ele apontou para a sacola.
— Ah, é... — Dei de ombros, lembrando dos presentes de Nick.
— Eu quase esqueci que hoje é natal! — Daniel bateu na própria testa. — O que você vai fazer hoje?
— Hum... Dormir! — Eu sorri e ele estranhou.
— Que tipo de pessoa dorme no natal? Você não vai esperar Papai Noel? Não vai colocar meias na lareira? — Ele falou, surpreso.
— Você parece uma criança falando assim! — Zombei. — E eu não vou esperar Papai Noel e nem vou colocar meias na lareira...
— Qual a graça do natal se você não faz isso?
— Natal é uma data comercial. — Eu expliquei e Daniel pareceu decepcionado. — Todo mundo sabe disso! Esse lance de árvore, presentes, isso tudo é besteira...
— Pois eu pedi um presente para Papai Noel, tá bom? — Ele fez bico.
— Ah é? E o que você pediu?
— Não, só quem sabe é o velho Noel! — Daniel sorriu, fazendo um carinho na minha cabeça.
xx
"I wont ask for much this Christmas
I wont even wish oh I wont even wish.
I wont even wish for snow.
I’m just gonna keep on waiting underneath the mistletoe
I wont make a list and send it to the North Pole for St Nick
Wont even stay awake to hear the magic reindeer play "
— Adoro músicas de natal! — Daniel comemorou, cantarolando a música.
— Tem alguma coisa no natal que você NÃO gosta? — Zombei.
— Panetonne! Eu ODEIO Panetonne! — Ele sorriu. — Você gosta?
— Não muito, mas sou acostumada! Todo mundo da minha familia adora...
Eu e Daniel já tinhamos caminhado por todas as ruas da cidade, visto todos os Papais Noeis de lojas possiveis, vendo mães e pais sairem carregando pacotes e mais pacotes de brinquedos e já estava ficando tarde e todas as pessoas pareciam evaporar. Algumas ruas estavam desertas, lojas e mais lojas se fechando...
— Cara, tá tarde! — Daniel olhou o relógio. — Minha familia já deve tá esperando...
Nesse momento, qualquer sorriso que podia ter se formado no meu rosto, desapareceu. Ele realmente tinha que ir embora...
— Mas, eu te deixo na sua casa! — Daniel pegou minha mão pela primeira vez.
xx
O prédio que eu morava não era tão distante, chegamos rápido. Mas, eu não queria isso...
— Bem, é aqui! — Parei na frente do apartamento.
— Mais rápido que eu queria... — Ele sussurrou. Daniel abaixou a cabeça, meio timido, mas...
— OLHA, VOCÊ TEM UMA BOTINHA DE DOCES! — E apontou para o enfeite preso na minha porta. — Papai Noel vai deixar seus presentes ai!
— O velho Noel tem muitas crianças para lembrar, dúvido que ele lembre de uma marmanja de 22 anos!
— Você que pensa assim...
E ficamos em silêncio. Aquele silêncio chato, sabe? Que demonstra que as coisas estão acabando...
— Bem, feliz natal, Ava. — Daniel aproximou-se de mim e, num impulso, encostei meus lábios nos dele.
Daniel pareceu ficar impressionado no inicio, mas, ele percebeu que eu sabia muito bem o que estava fazendo e intensificamos o beijo. Eu fui me encostando na porta, sentindo Daniel cada vez mais perto. Quando um celular tocou... Era o dele!
— Ok, eu já tô chegando... — Ele falou e desligou. — Eu tenho que ir...
Abaixei a cabeça, timidamente, mas ele pegou meu queixo e levantou.
— Te vejo amanhã? — Ele perguntou, aproximando e eu não pude deixar de sorrir. Desde Nick eu não havia sentido o coração acelerar, os estômago dar voltas, as pernas tremerem...
— Claro... — Sorri. — Bom natal, Daniel!
— Bom natal para você também, Ava! E que Papai Noel te traga um bom presente!
Vi Daniel sair corredor a fora, sorrindo. Acho que o velho Noel já me deu um bom presente esse ano...
xx
- no outro dia
Acordei cedo no outro dia. Apesar de passar a noite de natal comendo pipoca e vendo series antigas na tv, eu estava feliz. Muito mais que feliz. Enquanto estava na cozinha, vi que havia uma mensagem nova na caixa postal.
— Papai Noel me disse que passou num prédio e deixou um presente numa bota para uma marmaja de 22 anos! É melhor você checar... — Era a voz de Daniel.
Corri até a porta e vi que minha botinha estava cheia de doces e um cartão sem assinatura, apenas com algumas poucas palavras escritas...
" just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
Baby, all I want for Christmas is YOU "
Eu não precisei pensar mais de uma vez para descobrir que havia me mandando o cartão e os doces! Quem era?
PAPAI NOEL, LÓGICO! Agora, se vocês me permitem, eu tenho um presente de Natal para "ser". Até a próxima e tchau!
FIM.
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