domingo, 19 de maio de 2013

Chapter 9 - When There Was Me And You

“Você sabe, não sabe? Sabe que eu te daria o mundo inteiro, se eu pudesse. Que eu pediria paz ao Oriente Médio se você quisesse. Que iria ao espaço só pra te trazer um pedacinho da lua. Sabe que eu iria contra todos e tiraria qualquer mal que chegasse perto de ti. Sabe que eu faria tudo. Tudo por você. E com você. E pra você.” — Iolanda Valentim.

  Michelle culpava a todos, e principalmente descontando a maior raiva na mãe, dizendo que a culpa era dela, por ela não ter pegado nenhum telefone, por não ter envolvido nenhum advogado, que tipo de mãe afinal é essa.
No outro dia acordou, mais um dia afogando em suas próprias lágrimas. Estava acostumada, chorou todos os dias, desde a partida de Julian, sim. Um ano para não chorar mais nenhum em sua vida. Por isso, este dia, foi diferente, ela enxugou seu rosto, correu a escrivaninha e redigiu o seguinte:
Eu o vi esta noite. Daquele mesmo único modo, que consigo: Sonhando. Estavas belíssimo. Beijavas-me com uma paixão... Intensa. Caloroso, entusiástico e impetuoso. Era tão real que cheguei a pensar se estava mais uma vez junta as minhas fantasias. Meus devaneios. Cada detalhe... Suas mãos tocando levemente a minha, seu olhar desesperador ao encontro dos meus. Eu e você, mais nada a atrapalhar. Finalmente te encontrei. Ao acordar, uma grande aflição acompanhada de opressão e tristeza abraçou-me. Indefinível era quem/o quê me tirou as forças para levantar. Minhas lágrimas saltavam involuntariamente. Tentei voltar a dormir, a te encontrar mais uma vez; nada aconteceu. Com meus olhos já inchados, optei pela desistência. Encontro-me aqui, de volta à realidade: Sem você para acompanhar-me. Se só te tenho em meus sonhos, porque insisto em te querer? Quero-te tanto, e ao te ter por te querer, é do jeito que não quero te quer: não o possuo. Sonho com o irreal e sou egoísta por achar o impossível mais atraente... Que ser humano escárnio. Tire-me todas as minhas emoções. Se Julian não voltava para vê-la, ela então precisava dizer-lhe de qualquer modo como se sentia como ele foi capaz de deixá-la daquele jeito. Colocou em um envelope sem remetente e endereçado, como sempre o faziam para mandar estas cartas um ao outro. Pegou uma mochila, abriu seu guarda-roupa, colocou a caixinha onde guardava as cartas de Julian, algumas roupas, pouco dinheiro que juntara e saiu quando não havia ninguém em casa, evitando despedidas, pois odiava. Ela precisava fazer isso, por ela, por eles, e por tudo.
Só falaria com uma pessoa: Sua mãe. Só estava ela em casa, ela desceu as escadas com a mochila nas costas, e Vivian a olhou com repreensão.
 — Então é essa a solução? Ir embora? Deixar-nos?
 — Mãe, por favor. Eu sei que não tenho sido muito compreensiva esses dias... Mas queria que a senhora me entendesse, deixe-me conversar; se estou aqui, agora falando com você antes de ir é porque confio, e preciso.
  Ela a olhou, sem acreditar, respirou fundo e respondeu-lhe: - Diga.
 — Eu estou grávida.
 — O quê?!
 — E vou embora. Meu pai me deserdaria se soubesse de uma filha grávida sem ser casada. Eu vou viver minha vida longe disso tudo, eu preciso me libertar do ar de toda essa cidade, pois tudo está poluído com suas lembranças. Por favor, me entenda. Eu não vou abortar, é um pedaço dele em mim.
 — Venha cá. — Ela abraçou Michelle forte. — Apenas nós duas sabemos que diante de qualquer discussão que tivermos, mesmo que repentina, no final fico feliz por você saber que sou eu quem deve contar. Então, se é assim que queres... Será assim. Fingirei que nada sei, e te mandarei dinheiro para onde estiver. Mas terá que lutar, vai quebrar a cara, vai erguê-la novamente. Mas sabe que se for, foi. Não sabe?
 — Eu sei. E sentirei sua falta, me desculpe. Desculpe-me.
 — Não, eu nunca vou perdoar-lhe.
 — Eu entendo.
 — Mas sempre vou amá-la.
 — Eu também.
 — Agora vá logo, pois odeio despedidas.
 — Elas me enojam.
  E assim se despediram, e Michelle caminhou até a estação.
  Pegaria quantos trens fossem necessários para chegar a Barcelona, não fazia idéia de como viveria lá, do que viveria como sobreviveria. Só que iria. Não havia medo, nenhum, pois levava consigo uma parte dele. E isso lhe dava forças. Olhou para o horário da chegada do trem, restavam algumas horas, quando avistou um carteiro pegando algumas cartas da caixa de envelopes, para as cartas serem mandadas. Ela esperou ele sair, e foi até lá, pegou da bolsa seu envelope em branco com a mensagem dentro a Julian. Por nenhum segundo, achou estar louca por estar mandando uma carta em um envelope sem remetente, mas a verdade é que Julian não estava longe, ele nunca estava para ela mandar. Então pra quê saber de seu endereço? Ele iria ler e ela sabia disso. Colocou-a lá.
  Seu trem chegou. Ela partiu.

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domingo, 19 de maio de 2013

Chapter 9 - When There Was Me And You

“Você sabe, não sabe? Sabe que eu te daria o mundo inteiro, se eu pudesse. Que eu pediria paz ao Oriente Médio se você quisesse. Que iria ao espaço só pra te trazer um pedacinho da lua. Sabe que eu iria contra todos e tiraria qualquer mal que chegasse perto de ti. Sabe que eu faria tudo. Tudo por você. E com você. E pra você.” — Iolanda Valentim.

  Michelle culpava a todos, e principalmente descontando a maior raiva na mãe, dizendo que a culpa era dela, por ela não ter pegado nenhum telefone, por não ter envolvido nenhum advogado, que tipo de mãe afinal é essa.
No outro dia acordou, mais um dia afogando em suas próprias lágrimas. Estava acostumada, chorou todos os dias, desde a partida de Julian, sim. Um ano para não chorar mais nenhum em sua vida. Por isso, este dia, foi diferente, ela enxugou seu rosto, correu a escrivaninha e redigiu o seguinte:
Eu o vi esta noite. Daquele mesmo único modo, que consigo: Sonhando. Estavas belíssimo. Beijavas-me com uma paixão... Intensa. Caloroso, entusiástico e impetuoso. Era tão real que cheguei a pensar se estava mais uma vez junta as minhas fantasias. Meus devaneios. Cada detalhe... Suas mãos tocando levemente a minha, seu olhar desesperador ao encontro dos meus. Eu e você, mais nada a atrapalhar. Finalmente te encontrei. Ao acordar, uma grande aflição acompanhada de opressão e tristeza abraçou-me. Indefinível era quem/o quê me tirou as forças para levantar. Minhas lágrimas saltavam involuntariamente. Tentei voltar a dormir, a te encontrar mais uma vez; nada aconteceu. Com meus olhos já inchados, optei pela desistência. Encontro-me aqui, de volta à realidade: Sem você para acompanhar-me. Se só te tenho em meus sonhos, porque insisto em te querer? Quero-te tanto, e ao te ter por te querer, é do jeito que não quero te quer: não o possuo. Sonho com o irreal e sou egoísta por achar o impossível mais atraente... Que ser humano escárnio. Tire-me todas as minhas emoções. Se Julian não voltava para vê-la, ela então precisava dizer-lhe de qualquer modo como se sentia como ele foi capaz de deixá-la daquele jeito. Colocou em um envelope sem remetente e endereçado, como sempre o faziam para mandar estas cartas um ao outro. Pegou uma mochila, abriu seu guarda-roupa, colocou a caixinha onde guardava as cartas de Julian, algumas roupas, pouco dinheiro que juntara e saiu quando não havia ninguém em casa, evitando despedidas, pois odiava. Ela precisava fazer isso, por ela, por eles, e por tudo.
Só falaria com uma pessoa: Sua mãe. Só estava ela em casa, ela desceu as escadas com a mochila nas costas, e Vivian a olhou com repreensão.
 — Então é essa a solução? Ir embora? Deixar-nos?
 — Mãe, por favor. Eu sei que não tenho sido muito compreensiva esses dias... Mas queria que a senhora me entendesse, deixe-me conversar; se estou aqui, agora falando com você antes de ir é porque confio, e preciso.
  Ela a olhou, sem acreditar, respirou fundo e respondeu-lhe: - Diga.
 — Eu estou grávida.
 — O quê?!
 — E vou embora. Meu pai me deserdaria se soubesse de uma filha grávida sem ser casada. Eu vou viver minha vida longe disso tudo, eu preciso me libertar do ar de toda essa cidade, pois tudo está poluído com suas lembranças. Por favor, me entenda. Eu não vou abortar, é um pedaço dele em mim.
 — Venha cá. — Ela abraçou Michelle forte. — Apenas nós duas sabemos que diante de qualquer discussão que tivermos, mesmo que repentina, no final fico feliz por você saber que sou eu quem deve contar. Então, se é assim que queres... Será assim. Fingirei que nada sei, e te mandarei dinheiro para onde estiver. Mas terá que lutar, vai quebrar a cara, vai erguê-la novamente. Mas sabe que se for, foi. Não sabe?
 — Eu sei. E sentirei sua falta, me desculpe. Desculpe-me.
 — Não, eu nunca vou perdoar-lhe.
 — Eu entendo.
 — Mas sempre vou amá-la.
 — Eu também.
 — Agora vá logo, pois odeio despedidas.
 — Elas me enojam.
  E assim se despediram, e Michelle caminhou até a estação.
  Pegaria quantos trens fossem necessários para chegar a Barcelona, não fazia idéia de como viveria lá, do que viveria como sobreviveria. Só que iria. Não havia medo, nenhum, pois levava consigo uma parte dele. E isso lhe dava forças. Olhou para o horário da chegada do trem, restavam algumas horas, quando avistou um carteiro pegando algumas cartas da caixa de envelopes, para as cartas serem mandadas. Ela esperou ele sair, e foi até lá, pegou da bolsa seu envelope em branco com a mensagem dentro a Julian. Por nenhum segundo, achou estar louca por estar mandando uma carta em um envelope sem remetente, mas a verdade é que Julian não estava longe, ele nunca estava para ela mandar. Então pra quê saber de seu endereço? Ele iria ler e ela sabia disso. Colocou-a lá.
  Seu trem chegou. Ela partiu.

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