domingo, 19 de maio de 2013

Chapter 10 - When There Was Me And You - The End

“Sabe quando você quer chorar? Quer gritar, berrar, deitar na cama, ouvir músicas tristes e não sair de lá… Mas continua parado no mesmo lugar fingindo que tudo está bem?” — Glee.

Barcelona 1984.
 — Queria ter conhecido papai, mãe.
  Foi quando Michelle não sabia se sorria ou impressionava-se. Mas sorriu, pois ora, quem é seu pai? De alguém inteligente, deve surgir uma espertinha.
 — Hora de dormir, mocinha.
Michelle cruzou os braços envoltos das pernas da criança, e a colocou na cadeira de roda, levando-a até o quarto e deitando em sua cama.
 — Boa noite, pequena. — Falou dando um beijo em sua testa.
 — Mãe não fica triste, tenho certeza que papai sabe que você sente sua falta e que deve ter acontecido alguma coisa.
 — Éramos muitos novos, amor.
 — Não há idade para isso.
 — Está bem hein, chega de livros de romance garotinha.
  Apagou a luz do quarto, e voltou ao seu. A caixinha ainda estava lá aberta, pois Bianca olhara curiosa, claro, as cartas de Julian. Mas havia algo que Bianca não poderia achar, Michelle arrancou o chão da caixinha, havia algo embaixo, era uma reportagem.

Morto em silêncio. Órfão de dezessete anos, após deixar sua família que o adotara com muito amor, voltou aos braços do pai na esperança de que realmente o esperou por dezessete anos para finalmente estabelecer a responsabilidade de ser um bom pai. Entretanto, foi apenas um objeto de vingança à mulher. Julian Shaffer esperou dezessete anos por um pai, e um pai esperou dezessete anos por uma vingança. Ninguém ouviu seu grito, seu desespero, pois como é possível já que as cordas vocais do garoto nunca lhe deram permissão desde que nasceu? É encontrado restos de seus corpos queimados, e não se sabe hoje onde o pai está. Passeatas gritam por justiça na frente do parlamento, todos os dias, e nenhum deles os escuta. Dona do orfanato, Sra. Fible, encontra-se também desaparecida, suspeita de envolvimento com o assassino José Freitas, por ter sido usada para dar confiança a família quanto ao sujeito.

 Michelle acende um cigarro, e com o isqueiro queima a reportagem, a fim de que a única coisa que quer deixar em suas lembranças seja o que Julian deixou de bom a ela.

FIM!

Chapter 9 - When There Was Me And You

“Você sabe, não sabe? Sabe que eu te daria o mundo inteiro, se eu pudesse. Que eu pediria paz ao Oriente Médio se você quisesse. Que iria ao espaço só pra te trazer um pedacinho da lua. Sabe que eu iria contra todos e tiraria qualquer mal que chegasse perto de ti. Sabe que eu faria tudo. Tudo por você. E com você. E pra você.” — Iolanda Valentim.

  Michelle culpava a todos, e principalmente descontando a maior raiva na mãe, dizendo que a culpa era dela, por ela não ter pegado nenhum telefone, por não ter envolvido nenhum advogado, que tipo de mãe afinal é essa.
No outro dia acordou, mais um dia afogando em suas próprias lágrimas. Estava acostumada, chorou todos os dias, desde a partida de Julian, sim. Um ano para não chorar mais nenhum em sua vida. Por isso, este dia, foi diferente, ela enxugou seu rosto, correu a escrivaninha e redigiu o seguinte:
Eu o vi esta noite. Daquele mesmo único modo, que consigo: Sonhando. Estavas belíssimo. Beijavas-me com uma paixão... Intensa. Caloroso, entusiástico e impetuoso. Era tão real que cheguei a pensar se estava mais uma vez junta as minhas fantasias. Meus devaneios. Cada detalhe... Suas mãos tocando levemente a minha, seu olhar desesperador ao encontro dos meus. Eu e você, mais nada a atrapalhar. Finalmente te encontrei. Ao acordar, uma grande aflição acompanhada de opressão e tristeza abraçou-me. Indefinível era quem/o quê me tirou as forças para levantar. Minhas lágrimas saltavam involuntariamente. Tentei voltar a dormir, a te encontrar mais uma vez; nada aconteceu. Com meus olhos já inchados, optei pela desistência. Encontro-me aqui, de volta à realidade: Sem você para acompanhar-me. Se só te tenho em meus sonhos, porque insisto em te querer? Quero-te tanto, e ao te ter por te querer, é do jeito que não quero te quer: não o possuo. Sonho com o irreal e sou egoísta por achar o impossível mais atraente... Que ser humano escárnio. Tire-me todas as minhas emoções. Se Julian não voltava para vê-la, ela então precisava dizer-lhe de qualquer modo como se sentia como ele foi capaz de deixá-la daquele jeito. Colocou em um envelope sem remetente e endereçado, como sempre o faziam para mandar estas cartas um ao outro. Pegou uma mochila, abriu seu guarda-roupa, colocou a caixinha onde guardava as cartas de Julian, algumas roupas, pouco dinheiro que juntara e saiu quando não havia ninguém em casa, evitando despedidas, pois odiava. Ela precisava fazer isso, por ela, por eles, e por tudo.
Só falaria com uma pessoa: Sua mãe. Só estava ela em casa, ela desceu as escadas com a mochila nas costas, e Vivian a olhou com repreensão.
 — Então é essa a solução? Ir embora? Deixar-nos?
 — Mãe, por favor. Eu sei que não tenho sido muito compreensiva esses dias... Mas queria que a senhora me entendesse, deixe-me conversar; se estou aqui, agora falando com você antes de ir é porque confio, e preciso.
  Ela a olhou, sem acreditar, respirou fundo e respondeu-lhe: - Diga.
 — Eu estou grávida.
 — O quê?!
 — E vou embora. Meu pai me deserdaria se soubesse de uma filha grávida sem ser casada. Eu vou viver minha vida longe disso tudo, eu preciso me libertar do ar de toda essa cidade, pois tudo está poluído com suas lembranças. Por favor, me entenda. Eu não vou abortar, é um pedaço dele em mim.
 — Venha cá. — Ela abraçou Michelle forte. — Apenas nós duas sabemos que diante de qualquer discussão que tivermos, mesmo que repentina, no final fico feliz por você saber que sou eu quem deve contar. Então, se é assim que queres... Será assim. Fingirei que nada sei, e te mandarei dinheiro para onde estiver. Mas terá que lutar, vai quebrar a cara, vai erguê-la novamente. Mas sabe que se for, foi. Não sabe?
 — Eu sei. E sentirei sua falta, me desculpe. Desculpe-me.
 — Não, eu nunca vou perdoar-lhe.
 — Eu entendo.
 — Mas sempre vou amá-la.
 — Eu também.
 — Agora vá logo, pois odeio despedidas.
 — Elas me enojam.
  E assim se despediram, e Michelle caminhou até a estação.
  Pegaria quantos trens fossem necessários para chegar a Barcelona, não fazia idéia de como viveria lá, do que viveria como sobreviveria. Só que iria. Não havia medo, nenhum, pois levava consigo uma parte dele. E isso lhe dava forças. Olhou para o horário da chegada do trem, restavam algumas horas, quando avistou um carteiro pegando algumas cartas da caixa de envelopes, para as cartas serem mandadas. Ela esperou ele sair, e foi até lá, pegou da bolsa seu envelope em branco com a mensagem dentro a Julian. Por nenhum segundo, achou estar louca por estar mandando uma carta em um envelope sem remetente, mas a verdade é que Julian não estava longe, ele nunca estava para ela mandar. Então pra quê saber de seu endereço? Ele iria ler e ela sabia disso. Colocou-a lá.
  Seu trem chegou. Ela partiu.

Chapter 8 - When There Was Me And You

“Vou alertar antes. Tenho confusões dentro de mim. A minha carência elevada assusta. E os meus medos exagerados irritam. Então, não se sinta covarde. Se quiser ir embora agora, vá. Enquanto há tempo.” — Allax Garcia.

13h00min.
O pai de Julian se chamava José, sendo atendido entre amigos apenas por Zé. Quando chegou à casa dos Shaffer aparentemente percebeu-se que ele tentou mostrar-se apresentável a todos, porém ainda um pouco desajeitado, a gravata fora do lugar - detalhe que só Carlos percebeu -, uma pequena mancha de Café na gola da camisa (Vivian viu) E as roupas não eram de marca alguma (Michelle) Para Julian... Ele podia não ser exatamente como o sonhava, mas passou a ser agora.
 — Sente-se, por favor, senhor José, e permita-me pedir que almoce conosco.
 — Oh, sim! Obrigado, senhora...
 — Vivian, é um prazer.
 — Sim, Vivian! — Ele não parava de olhar para Julian, nem Julian a ele.
 — Olhe, eu queria deixá-lo logo informado que Julian dá muito... Amor a essa casa. E que ele foi criado aqui não como um órfão, mas como um filho.
 José comia rapidamente e sem controle. Parecia que tinha saído da cadeia.
 — Ah, sim! É muito bom saber disso, eu sempre quis muito conhecer meu filho. Fico inconformado por não ter tido convivido nas melhores épocas. Porém... O destino foi quem escolheu assim. Eu não tinha condições de dar uma vida a mim mesmo, quanto mais a um filho. Então preferi me estabelecer até poder procurá-lo, rezando para que ainda estivesse vivo.
 — Fico feliz em saber disso. E Julian sabe que se precisar de qualquer coisa, nós estaremos aqui e nunca o esqueceremos. Dependendo de sua decisão, ele estará bem onde achar que deve estar.
 — Ele só estará bem aqui. — Michelle impõe-se.
 — Michelle!
 — Desculpe. Continue, senhor José. — Ela deu um sorriso não muito simpático a ele.
 — Bem, eu nunca o tiraria de um lugar que já se acostumou e se enquadrou. Moramos longe, mas ele poderá vir aqui todo fim de semana, ou até mesmo quando quiser. Só não tenho certeza que estaremos sempre amigos das despesas se ele quiser vir constantemen...
 — Oh! Nós cobrimos o necessário. — Michelle mais uma vez.
 — Querida, chega.
  Ela se calou.
 — Não imagina o quanto ficamos felizes em ouvir essa notícia.
 — Ora, que isso, Vivian, eu só preciso de um tempo para conhecer meu filho, mas claro que nunca faria isso com ele. Sei que deve ser estranho no começo, mas tenho certeza que as coisas irão se ajeitar.
 — E então Julian, você está de acordo, deste modo? — Vivian indagou.
  Ele balançou a cabeça, dizendo sim.
 — Devemos então falar com algum advogado seu, para alguma autorização de que irá está de acordo com a vinda de Julian aqui por dias alternados?
 — Ah, não! Não vamos envolver isso... O que é, senhora Vivian, não gostou de mim? Achei que nos demos tão bem e eu passei minha confiança. Vejam bem... Como disse, ainda estou estabelecendo minha vida, não tenho dinheiro para essas bobagens.
  Vivian hesitou e ele a olhou mais uma vez.
 — É certo. Bobagem.
  Julian se despediu de todos, mas o abraço mais forte foi em Michelle.
  Deixando-lhe um papel em sua mão discretamente.
  Quando saíram, ela o abriu:
"Nunca se esqueça, que sempre a amarei, pequena curiosa. Julian."
  Ela apertou forte o bilhete em seu peito, prendendo uma lágrima.
  Um mês se passou.
  Julian não voltou.

Chapter 7 - When There Was Me And You

“Dói saber que você já não se encaixa em meu mundo.” — Geovane Pereira.

 O resto do dia, não teve metade da animação que qualquer outro momento desde a chegada de Julian até segundos antes do comunicado da Sra. Fible. Carlos voltou ao trabalho inconformado por não poder fazer companhia a Vivian, ela ficou feliz ao ouvir isso do marido. Lucas passou à tarde, sem muita novidade, em frente à TV. E Julian foi ao orfanato ver as crianças, Michelle ligou para Audrey, pedindo que a levasse dali para qualquer lugar e a animasse um pouco. A casa estava mais uma vez silenciosa.
Michelle chegou um pouco tarde em casa, subiu ao quarto, passando pelo do irmão, olhou de relance, Julian estava sentado à cama, com a cabeça baixa e as mãos no rosto, pensativo. Ela procurou não incomodá-lo, passando direto. Abriu a porta, e havia mais uma carta no chão, ela agachou e abriu:
Não sei o que acontecerá amanhã. Não sei. Não tenho idéia de quem ele seja, talvez uma boa pessoa, talvez não, poderá querer apenas me ver e depois ir, ou pedir para eu ir com ele. Mas sei Michelle, mas de uma sempre terei certeza, que aconteça o que acontecer, meu amor não morre.
“Agora onde estás? Com teus doces cantos e encantos.
Canta a mim, pois aguardo o sussurro de tuas palavras, cantadeira:
Em nosso recanto. Agora onde estás? Naquele canto. Sorrisos embaçam meu rosto ao te ver.
Do que são minhas palavras, do que valem, quando não tenho você a me inspirar em dizer um pouco mais?
“Canta a mim, cantadeira.”
Não sei daquilo. Tenho certeza disto. E gostaria de saber apenas:
Quando sua faísca virou fogo? E quando seu calor virou desejo?
Eu te amo. Mas isso não é um adeus.
Julian.

Ela fechou a carta, enxugando uma lágrima despercebida depois de ter molhado seu rosto. Sentou a mesa, e começou a escrever:
Não sei o que fiz para merecer tanto, deste jeito... Você só permitirá que eu te agarre o braço e não deixe você partir, acontecendo o que acontecer. Não vou dizer que quero que você vá, pois não quero. Mas não posso dizer isso, conheça-o, eu te peço, pois foi o que você sempre sonhou. Mas prometa voltar, prometa não me deixar. Pois se tu és meu ar, irá haver pouco para eu respirar. E se queres me deixar com mais receio em resposta as tuas doces palavras, darei ao troco.
“Dois corpos ardem em chamas ao sentir tão próxima presença.
Hesitam subitamente, pois não podem saciar este desejo. Não se permite, na verdade, nutrir este sentimento em conjunto, apesar de se amarem.
Amar sem razão, sem pensar que há fim... E não há! Estarão sempre juntos, mas não perto um do outro. “Não sabem por que, mas o fazem, pois se amam o suficiente para não permitir que o sentimento se afogue.”
Eu te amo.
Michelle, your belle.

Ela então deixou lá, voltando ao quarto. Deitada a cama, olhando para embaixo da porta, se perguntando se havia mais, até quase pregar no sono encostada a parede ouviu o código, ele lhe dizia “Boa noite, pequena” Ela então sorriu, já adormecida.

Chapter 6 - When There Was Me And You

Cansei de tudo que é mudo dentro de mim. (…)
  Estava próximo do horário de almoço, Julian e Michelle prepararam antes que seus pais chegassem com Lucas. Para os dois, nada poderia se tornar entediante contanto que estivessem juntos. Julian se divertia com a distração de Michelle, e Michelle ria com a expressão de censura que ele fazia a ela. Sempre fora assim, ele tentava mostrar ser sério e ela sempre brincando com qualquer resquício.
  Quando Vivian, Carlos e Lucas chegaram, a mesa já estava posta. Vivian ficou surpresa e simultaneamente satisfeita com tamanha dedicação de Michelle, nunca a viu tão disposta a fazer tamanho serviço, e feliz. Carlos e Lucas pareceram nem perceber quem fez ou quem não fez, preocupavam-se apenas com a comida em frente e que deveriam degustá-la o mais rápido possível.
  Enquanto comiam e conversavam, a companhia tocou.
- Ah! Deixem que eu atendo. – Vivian indagou.
Ao abrir a porta, franziu a sobrancelha com um olhar curioso ao avistar a... Como é mesmo o nome?
- Bom dia! Mas que surpresa, a senhora por aqui. Aconteceu alguma coisa?
Meu Deus... O nome.
- Bom dia, Sra. Vivian. Desculpe interrompe-la em um horário impróprio. Mas sim, é importante, podemos nos falar aqui fora, a sós?
Lembrei!
- Não prefere entrar, Sra. Fible? Podemos ir à sala, todos almoçam.
- Não, aqui fora está ótimo, por favor.
Vivian sentiu seu coração palpitar mais rápido, sem um por quê. Estranho, pensou. Fechou a porta, e sem pressa logo perguntou:
- O que houve?
- É o pai de Julian.
- O pai de Julian? Não havia ido embora? Deixado a mulher?
- Sim, mas... Ele voltou arrependido.
- E precisou de dezessete anos para se arrepender?
- Bem, eu não sei Vivian. Mas é o pai dele, e clama por seu direito de pai.
- Pai entre aspas. Pois pelo que eu sei, a única família que Julian teve, foram duas: Com a senhora e as crianças do orfanato, e aqui onde está bem.
- Eu sei. Mas é o pai dele.
- Você está certa... Meu Deus. Mas estava tudo tão bem. – Vivian baixara os olhos, triste. Julian era o que essa casa precisava e tão pouco chega já vai embora. Ah! O que dirá a todos? O que dirá a Michelle?! Michelle...
- Ele disse que virá buscar Julian amanhã mesmo.
- Ele não é o pai dele! Nós o criamos, do que vale sangue onde há coração?
- Eu sinto muito, Vivian. Todos nós sentimos, as crianças do orfanato estão péssimas também.
- Você o pesquisou? É um bom homem? Como irá criá-lo?
- Olhe... Nós podemos lutar pra que ele continue conosco. Conheço bons advogados que nos dariam até um desconto. Mas... Julian teria que concordar.
- Julian tem um coração tão bom, que esquece ou até não sabe que é o único com este tamanho. Ele não vai permitir que nós o obriguemos a não conhecer o próprio pai. Ele é louco para conhecer quem quer que seja da verdadeira família.
- Então, vai ver que o que precisam é de uma boa conversa. Bem, eu não vou mais tomar o seu tempo, e mais uma vez desculpe por chegar à má hora. Mas pensei que o melhor seria vir o mais rápido possível.
- Estava certa Fible, obrigada. Avisarei a todos agora mesmo, que estão aqui.
- Boa tarde, e rezaremos juntas para que dos males ao pior, ele esteja em boas mãos. E sim, quase ia me esquecendo! Qual o horário melhor para que ele chegue?
- Este mesmo, pois assim todos estarão.
- Certo.
Vivian sorriu, despediu-se, fechou a porta e logo voltou à mesa.
- Mãe! Já terminamos e você de papo. – Reclamara Lucas.
- Tudo bem – Ela sorriu sem graça - Perdi o apetite, querido.
Todos a olharam, esperando dizer alguma coisa.
- Precisamos ter aquela conversa entre família, que não temos a um bom tempo.
Continuaram todos na mesma posição, fitando o olhar.
- Quem esteve aqui foi a Sra. Fible. O... Pai de Julian pretende vê-lo.
No mesmo instante todos olharam para ele, e ele confuso, arregalou os olhos, pegando uma caderneta de seu bolso com um papel, escrevendo nervoso em grandes e um pouco tortas letras: “O QUE?” Olhando para quem estava ao seu lado, Michelle.
- Julian... O seu pai. – Falara sem olhar em seus olhos, pois estava triste, mas tentava aparentar não estar, então sorriu sem graça.
Vivian continuou.
- Ele disse estar arrependido, Julian, e agora preparado para conhecer seu filho. Virá aqui amanhã para buscá-lo.
Julian mais uma vez, escreveu no mesmo papel embaixo e Michelle leu em voz alta: “Vocês querem que eu vá?”
Veio então o coro “Não!”
- De maneira alguma, querido. Todos nós, eu creio, não sabemos se ficamos felizes ou tristes, sentimento estranho e engraçado, não? Mas, é o que você sempre quis. Então o que decidir, entenderemos. Queremos que você esteja bem.
Ele escreveu de volta e Michelle, mas foi sua voz: “Vocês são a minha família. Eu queria conhecê-lo... Mas era quando eu não contava com ninguém. E vocês me acolheram, então já não me sinto mais incompleto.” Ele saiu indo ao seu quarto.
Michelle quis ir atrás, mas Vivian pegou em seu braço - Deixe, ele precisa ficar só um pouco.
Silêncio.
- Mãe, eu não quero que ele vá. – Lucas o quebrou.
- Eu sei, querido.

Chapter 5 - When There Was Me And You

“O que você tem na mente? O que eu sou para você? Se não falar, eu nunca vou saber. Você é uma incógnita. E sabe disso.” — Allax Garcia.

   Ao amanhecer, estavam todos na mesa para o café da manhã. Michelle avisara que não estava se sentindo muito bem para ir à escola hoje, ninguém perguntou nada. Seus pais terminaram, e logo foram trabalhar e o ônibus escolar apanhou Lucas. Michelle ainda enrolava para comer mais, enquanto Julian lavava os pratos. Ele terminou se dirigindo a mesa, sentou ao seu lado apanhou um guardanapo e escreveu: “Tenho uma surpresa pra você. Quando terminar, vá ao seu quarto.”  Ela sorriu, e assentiu olhando-o subir as escadas enquanto guardava o guardanapo em seu bolso.
  Alguns minutos depois, abriu a porta e ele estava com seu violão sentado a cama, apontando para um papel a sua frente, ela sentou e o leu, havia o seguinte:
Espero que não se importe por eu ter pegado seu violão (Aprendi contigo, pequena curiosa, haha), mas o vi no canto e não resisti em tocar para você. Cante por favor, e sem dizer que há vergonha, pois adoro a sua voz. “Com teus doces cantos e encantos. Canta a mim, pois aguardo o sussurro de tuas palavras, cantadeira.”
  Quando ele começou a tocar as primeiras notas, ela deu um daqueles sorrisos empolgantes que ele adorava respondendo-a com outro satisfatório de volta. E ela deitou na cama, com a carta na mão sem olhar para a letra, já a sabia de cor. No começo, cantava baixinho, mas logo perdia a vergonha, dando uma certa entonação: “I love you, I Love you, I Love you! That’s all want to say.”  Olhava para ele acima, e sorria. E quando ela já estava no último verso “And I Will say the only words I know that you’ll undest...”  Ele parou de tocar, colocou o violão cuidadosamente ao lado. Ela o olhou curiosa, franzindo a sobrancelha, ele tocou seu rosto e se abaixou para seus lábios encontrarem os dela, ela se virou um pouco (não que beijá-lo pela primeira vez e ainda de cabeça para baixo tenha sido boníssimo, mas estava ficando um pouco desconfortável) para permitir que seus lábios entreabrissem aos dele e surgissem movimentos delicados de suas línguas.
  Ele a beijou com força, puxando-a para si. Acariciou-lhe os seios, seguindo os movimentos simultâneos dos seus lábios urgentes contra os dela, alternando entre sutis mordiscadas sobre a região de seu lábio inferior e logo prosseguindo a massagear sua língua. Ela apertou-o com mais força, sentindo uma excitação crescente, quase que insuportável. Julian descia suas mãos até a barra de sua camisa, levantando-a devagar e parando entre os beijos para observá-la, sem ao menos acreditar. Ela ficara envergonhada, baixava a cabeça se cobrindo com um sorriso sem graça. Ele, com o dedo indicador, levantou o queixo dela para olhá-lo, e não precisou de mais nada, ela sabia que estava tudo bem e não havia motivos para nervosismo agora. Logo, voltaram a se beijar, em um ato, para ambos, urgente, e ele deitou sobre ela, puro e cuidadosamente, como se estivesse tocando em uma delicada rosa. Ao fazer amor, Michelle sentiu a coisa mais excitante que jamais experimentara: uma explosão primitiva e selvagem que os sacudiu a ambos. Após, ela ficou por um bom tempo nos braços dele, apertando-o contra si e sentindo uma felicidade que nunca julgara possível.
  Eles ficaram então, por um breve momento, abraçados um ao outro, ela deitou a cabeça em seu ombro e ele acariciava seus cabelos com um sorriso satisfatório aos lábios, parecia para os dois que aquele momento era uma fotografia imaginável, não deveria acabar em qualquer circunstância. Foi Michelle que decidiu cortar o clima, quando do nada, pulou dali, virando-se pra ele, Julian tomara um susto, mas gostava quando ela ficava tão feliz do nada, por razão alguma. E então, disse “Sabe um lugar que eu sempre quis conhecer?” Ele balançou a cabeça, que não. “Barcelona... Acho tão lindo!” Ele sorriu, pegou em seu braço, a puxou para perto dela, encostou a cabeça perto da parede chamando-a, ela foi com um olhar confuso. E ele deu toques nela, uns mais largos outros mais curtos para lhe dizer “Te seqüestrarei qualquer dia para irmos até lá” Ela respondeu da mesma forma, dizendo “Promete?” “É uma promessa”. Eles se entreolharam, e quando viram, já estavam presos aos braços um do outro.

Chapter 4 - When There Was Me And You

“Aprende. Aprende. Aprende que dói menos.” — Tati Bernardi.

   A festa ocorria na casa de um dos amigos milionários de Michelle. Quando chegaram, Julian observava atordoado todas aquelas garotas seminuas, virando barris de cerveja, no canto da parede, casais esperando a hora de um sexo explícito. E no fundo, um garoto com uma lata de coca-cola na face, ele não entendeu o pra quê. Quando foi tirada sua atenção, logo que Michelle gritou: “Audrey!”
  Audrey era sua melhor amiga, e já havia contado sobre Julian.
 — Hmm! Então esse é o misterioso Julian? Prazer em conhecê-lo, querido. Quer uma cerveja?
  Julian balançou a cabeça que não sorrindo sem jeito.
 — Certo. — E logo olhou para Michelle. — Bonito, hein?
 — AMIGA!
 — Ok, ok.
  Enquanto conversavam, Julian fez um gesto com as mãos para Michelle perguntando-lhe se ela ou a amiga queriam que ele pegasse algo.
 — Ah! Eu quero sim, uma cerveja, obrigada Julian. Quer alguma coisa Audrey?
 — Não, não.
  Ele assentiu, e logo foi. Quando voltou, elas já não estavam lá. Julian franziu a sobrancelha, deixando a cerveja na mesa ao lado, e olhando para todos os arredores. E lá estava Audrey, conversando com algum outro garoto. Ele se dirigiu a ela, com um olhar preocupado.
 — Ah, Julian! Ela foi procurá-lo.
  O garoto a quem acompanhava Audrey, perguntou curioso:
 — Quem?
 — Michelle.
 — Ah! Eu a vi indo a algum lugar com Anderson.
  Audrey no mesmo momento arregalou os olhos. Julian percebeu sua expressão, e fez um gesto com as mãos perguntando-lhe quem é.
 — Não o entendo, querido.
  Ele pegou uma caneta do bolso, e escreveu na toalha da mesa ao lado: “QUEM É?”    — O... Ex dela. Acho melhor irmos procurá-la, Michelle deveria parar de acreditar tanto nas pessoas. Ele no mínimo deve tê-la feito acreditar que ele apenas queria pedir desculpas por tudo e que fossem...
  Antes de terminar a frase, Julian já estava com um andar apressado à frente.
 — ... Amigos?
  E logo ela, e o amigo que conversavam foram atrás.
  Julian corria estonteado com o som da música misturado às luzes em seus olhos, até que viu de relance uma mão atravessando até atrás da parede, ele percebeu que era ela pela pulseira que usava. Simultaneamente, a imagem da cena veio a sua cabeça, Michelle sorria pedindo que ele escolhesse qual das duas usaria.
  Correu até lá, e ela estava com as mãos presas a quem ele supôs ser o Anderson a dele, juntos demais ele falava alguma coisa em seu ouvido... Ela enojava tentando se sair.
  E quando Julian percebeu que voltou aos seus sentidos; o homem já estava no chão. Michelle correu para abraçá-lo pedindo que a levasse embora dali.
  Chega a casa, e cada um infelizmente deve ir para seu quarto. Tenta-se não fazer muito barulho, Michelle já havia parado de chorar, os braços de Julian haviam reconfortado-lhe. Antes de deixá-la ao quarto, lhe deu um beijo na testa e com os gestos de suas mãos, disse-lhe que tudo iria ficar bem. Ela sorriu, mas com um olhar triste e entrou.
  Os dois estavam deitados na cama, olhando para a parede, a única coisa que o separavam... Estavam tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Ele fez alguns toques, longos, curtos, e perguntou: “Está melhor?” “Sim, obrigada por tudo.” “Dorme bem, pequena. “Você também“ Eles dois então beijaram a parede simultaneamente, não sendo proposital.

Chapter 3 - When There Was Me And You

“E se o amor bater na porta, diga-o que saí.” — Cazuza.

  23h03min. Michelle pensou “Ele não vêm”. E os próximos dois minutos pareceram-lhe 2 horas. Ele bateu a porta devagar. Ela abriu, e o puxou para dentro silenciosamente, olhando para os lados. O olhou, e dirigiram-se a cama, para sentarem, ela acariciou seu rosto, estudando-o e ele sorriu. Pegou outro papel em branco na cabeceira ao lado e escreveu: (Sempre lhe parecendo que eles estão à longa distância para isso.)
  “Você tem um sorriso lindo, Julian. Perdoe-me, mas prefiro e creio que o melhor é que mamãe ainda pense que não nos damos bem; se ela descobrir que estamos no falando muito ou que você vem ao meu quarto tão tarde, irá pensar bobagem, e meu pai não permitirá que fique.”
  “Eu entendo, você sempre gosta de ter esse gostinho de estar fazendo algo errado, não? Torna o momento melhor para você, mesmo que não estejamos fazendo nada de errado. Comunicamo-nos por cartas como se morássemos longe, ou até mesmo fingir que não nos conhecemos.”
  “Pare de me decifrar. Além de sempre acertar, me mata de vergonha.”
  “Suas bochechas ficam rosadas aos poucos, você abaixa a cabeça para disfarçar, mas não tem como não perceber, pequena curiosa.”
  “Eu tenho uma idéia. Faz tempo que não brinco de forca... Desde a 7ª série. Seria divertido.”
  Enquanto eles faziam esse “bate papo”, passando o papel um para o outro, ela escrevia e ele não conseguia parar de olhá-la ou ela, vice-versa.
  Michelle pegou outro papel, desenhou um boneco de palito mal feito e borrado com uma borracha, escrevendo cinco traços tortos.
  Eles riam e brincava a noite inteira, ela ficara com muita raiva por nunca conseguir ganhar. Era incrível.
  Ele escrevia: “Vai precisar treinar mais um pouco, pequena.”
  Nessa brincadeirinha, Michelle ficou horrorizada, pois já eram uma hora da manhã e ela devia ir para a escola no outro dia, aliás, mais tarde. Avisou isso a Julian, e ele assentiu com a cabeça, deu-lhe um beijo na testa e saiu do quarto devagar e cuidadoso com o barulho.
  Na escola, Michelle estava mais sonolenta, passou a maioria das aulas dormindo ou escrevendo algo que ela não deixava ninguém ver. Ela estava mais pensativa também, distraída. Teriam que chamá-la três vezes, ou na 4ª, gritando para ela perceber seu nome sendo chamado. Terminada a aula, todos foram embora apressadamente, menos Michelle, que continuava em sua banca, a professora perguntou-lhe se ela não iria acompanhá-los, apontando aos alunos, ela cobriu o caderno e disse que logo mais.    Estava estudando o Código Morse, anotando toda a relação do alfabeto e ao lado, como cada letra representava.
  Ao chegar a casa, sua mãe ouviu atentamente o barulho da porta. “Querida? Chegou?” “Sim.” “Julian foi visitar as crianças do orfanato que morava. Já deve chegar para o jantar, vamos esperá-lo.” “Ah, tanto faz. Vou até meu quarto.”
  Subiu até seu quarto, passando pelo de Julian, seu irmão também não estava lá, tivera o visto na sala vendo qualquer desenho animado bobo que ele adora. Deixou o papel com todas as informações, pegou outro qualquer e escreveu:
“Encontrei mais uma forma para nos comunicar. Devo achar que já a conhece, de qualquer forma escrevi para você. Tentarei estudar os gestos futuramente. Procuro cada vez mais uma melhor forma de conversar com você Julian, é sempre reconfortante. Obrigada. De: sua pequena curiosa. xx”

  Enquanto isso, no andar de baixo, Vivian preparava o jantar, e seu marido, pai de Michelle e Lucas, chegara mais cedo do trabalho. Carlos era um homem sério, quando preciso, pois é um pouco barrigudo, devido sua amada cerveja com os amigos numa tarde de domingo, assistindo a um bom jogo de futebol.
  Voltara-se a Vivian querendo lhe falar:
 — Vivian, ouviu umas risadas à noite? Não sabia se ainda estava acordada, não quis incomodá-la então esperei por perguntar-lhe hoje.
 — Sim, também pensei o mesmo. Mas achei estranho... Era a risada de Michelle.
 — Estava com o garoto que você trouxe, não foi? Falei-te que isso não ia dar certo!
 — Não querido, é lógico que não. Michelle nem ao menos se deu bem com Julian, apesar de ser um ótimo garoto, você sabe muito bem disso e achava que tinha me entendido, me conhece e não me arrependo em momento algum de ter-lhe chamado para morar conosco. Ela deveria está no telefone, não canso de reclamar isso. Quando vir a conta...
 — É. Sobra pra mim, converse com ela.
 — Certo.
 — Eu vou tomar meu banho, o jantar vai demorar?
 — Não, não. Julian já deve chegar do orfanato, e iremos jantar logo mais.
 — Esse menino aqui... São mais despesas nas minhas costas. É cada invenção.
  Ele saiu resmungando, indo em direção ao banheiro...
 — CADÊ MINHA TOALHA?
 — PROCURE!

  Vivian baixou a cabeça, respirou e suspirou forte com as mãos no rosto, impaciente. Até que Lucas virou o rosto pra trás, tirando a atenção de seu programa e olhou pra ela:
 — Mãe, que cheiro é esse?
Era o arroz, que esquecera no fogo, correu até o fogão, apagou, mas não restava mais nada.
  Agachou-se no chão da cozinha, com a cabeça em seu colo, segurando as lágrimas. Não era besteira por se sentir assim neste momento, não, seu marido não a tratava tão bem como antes há tempos. Mas não poderia o deixar... O que seriam das crianças? Teria que ser forte e manter a imagem de uma notável “família feliz”. Tão preocupada com o mundo, era Vivian, com as pessoas, em confiar-lhes, em tentar agradar... Até que mal lhe sobrava tempo para pensar em si mesma. Enxugou o rosto e se levantou, um pouco atordoada olhou para a sala, Lucas estava assistindo a TV, Carlos não tinha saído do banheiro ainda... Deve está pensando em alguma de suas putas já que seu corpo de meia-idade não o agrada mais.
  Terminou o Jantar, e deixou a mesa posta. Foi ao quarto, tomou um banho, mergulhando a cabeça em água fria, precisava. Ao terminar, se dirigiu ao quarto do lado, de Michelle, bateu duas vezes.
 — Filha? Posso entrar?
 — Sim, mãe.
  Vivian entrou, e fechou a porta rapidamente. Michelle aparentava precisar de um pouco de ajuda quanto ao vestido para atacá-lo atrás. Olhou para a mãe, e sorriu: - Uma ajudinha?
 — Claro. Mas querida, precisamos conversar um pouco.
  Falara Vivian enquanto atacava cada botão, Michelle estava distraída, pois ao mesmo tempo olhava para seu cabelo no espelho... O ajeitando. “Está ruim, acho que preciso cortá-lo, dar outra aparência.”
 — Michelle, me escute!
  Vivian já chegara ao quarto com um discurso pronto, séria, mas logo que olhou para a filha e viu o quanto não a via tão feliz, preocupada até com sua aparência, sorriu.
 — Pra onde você vai?
 — A uma festa.
 — Por que não leva Julian consigo? É uma boa chance para se reaproximarem. — Ela piscou o olho para a filha e ela logo entendeu.
 — Mãe... Foram as minhas risadas ontem à noite, não?
 — Disse a seu pai que estava no telefone.
 — Você é fantástica! Mas... E se o pessoal tiver preconceito? Sabe como são aquelas pessoas.
 — Seus verdadeiros amigos a entenderão. Você diz que não, mas tem um coração bom, tão grande quanto o meu.
  Michelle sorriu, e logo se viram abraçadas.
 — Obrigada.
  Quando Vivian se foi, ela correu para a parede: - Vista s...ua melh...or roupa. Temos uma fes...ta.
 — Perguntou-me se minha agenda estava livre?
 — Sem graci...nhas. Não sei fazer ISS..o.
 — Já estarei pronto.

Chapter 2 - When There Was Me And You

“Aprendi que amar é ficar, mesmo tendo milhares de motivos para partir.” — Chandy Melo.

   Um tanto bom quanto belo garoto, com meros dezessete anos, branco da cor semelhante à neve, os olhos azuis refletiam mais brilhantes com qualquer luz que lhe dava algum contraste, cabelos castanhos escuros e um nariz perfeitamente criado que chegava a chamar atenção. Ah, mas... Nunca saiu uma palavra do conjunto de seus dois lábios.
  Michelle sempre fora considerada desde o primário, aquela garota mais bela de sua classe, plausível a quem quer que a reconheça. Acostumada por fim, com todos os homens aos seus pés, porém nunca se deixando apaixonar. Primeiro sinal de fraqueza de uma mulher, ela dizia. Pois sabia que nenhum deles iria lhe retomar algum benefício, mas que evidente nunca iria deixar de viver ou ter alguém por essa razão. Admitia gostar de ter sempre alguém fazendo tudo que ela pede ou deseja.
  De qualquer forma, a “fila” de Michelle nunca parou de andar.
  Cabelos longos e morenos, uma boca carnuda abaixo de olhos claros, em que nem mesmo ela sabia ao certo sua cor. Era verde, mas o contorno surpreendia ao se transformar em um azul celeste, magra, alta e esbelta. Desejável.
  Julian ficou de dormir no quarto do irmão mais novo de Michelle, Lucas.
  Lucas o adorou, afinal... Não era de falar muito e “encher o saco”, bastava-lhe sua irmã.
  Julian sempre estava em sua cama, escrevendo ou ouvindo músicas, lendo bons livros. Um dia, Michelle passou no quarto olhando de relance e viu que ele lia Nietzsche. Ficou impressionada, por ainda existir homens inteligentes com uma mente tão aberta. Sempre educado, impressionava sempre a todos por não dar trabalho algum, mesmo não tendo recebido educação alguma, além do orfanato.
  Michelle nunca estava em casa, Julian a via da janela do quarto após avisar a mãe que iria para casa de sua amiga, e entrava em um carro com um homem mais velho.
  Em um dia qualquer, céu nublado, iria chover talvez. Vivian pediu para que Michelle subisse ao quarto, e avisasse a Julian que o jantar estava pronto. Ela entrou, ele olhou para ela e ela fez um gesto terrível com as mãos em direção a boca. Ele entendeu, rindo, pensando que ela deveria achar que ele é retardado. Ela ficou lá, sem entender, e andou franzindo as sobrancelhas, quando deixou um dos papeis dele cair. Ela se agachou para colocá-los no lugar, mas a sua curiosidade não a deixou em paz. Ela ficou tentada a ler. Havia o seguinte:

“Fiquei sobranceiro a expor minha íntegra ventura, a quem eu mesmo não criava fantasias para chegar próximo de tamanho valor. Querido e admirável anjo a quem me resguardas, acordei e não o senti ao meu lado, onde fostes? Pois já se sucederam segundos, minutos e, por fim, passaram as intermináveis horas. Novamente me deixará só? Inconsciente, tomei um mergulho de minhas lágrimas. Não há luz, pois a que me era parte integral, se foi.” 

  Michelle nunca havia lido algo tão bonito e ao mesmo tempo... Triste. Estava quase derramando uma lágrima emocionada; quando sua mãe gritou: “Michelle! Você não vai descer?” Ela levou um susto, e correu para descer as escadas, deixando o papel cair.
  No dia seguinte, quando voltou da escola. Viu um possível bilhete em sua cabeceira. Era o poema de Julian, e havia escrito mais:

"Não haverá problema algum em ficar com este, se realmente gostou, pequena curiosa. Nunca deixei ninguém os ler, foi um descuido meu, só peço que não espalhe ou use para outros fins. Guarde-o, agora é de responsabilidade sua conservá-lo. Este outro fiz após ter estudado-a, espero não ter sido rude em tomar tamanha liberdade.
“Devo parar de acreditar nas pessoas. Devo? Dizem que a culpa está em minha “bondade”; Mas adianta ser bom diante do mundo em que nos apresentam? Lêem-nos como bobinhos.”
Só espero que algum dia dê-me a chance de merecer sua confiança. E assim, farei o possível para não decepcionar-lhe. "

  Michelle não dormiu aquela noite... Passou-a inteiro em claro lendo sem parar, cada palavra, para não correr o risco de esquecer cada seguimento, guardou-o em uma caixinha, trancando-a e escondendo-a atrás de suas roupas, dentro de seu guarda-roupa. Ela nunca havia encontrado alguém que teria entendido-lhe tanto em tão pouco tempo, sem nem ao menos terem trocado qualquer conversa; se ela merecia sua confiança, faria o possível para ele merecer o mesmo. Afinal, Julian sabia que poderia confiar nela, mesmo informado – sem querer – do que ela dizia, em relação a “estranhos” em sua casa.
  À tarde, ela saiu de seu quarto, e devagar se dirigiu ao do irmão, a porta estava aberta e ela tentou passar despercebida, mas ao mesmo tempo olhando para os lados; não havia ninguém, e então escutou a música da abertura do Balão mágico “Lindo Balão Azul” (Ah, Lucas) E um barulho na cozinha. Era Julian.
  Ela entrou devagar, apesar de não fazer muita diferença, deixando em cima da cama, onde Julian dormia, o seguinte bilhete:
  “Não posso deixar de informar que me encontrei decepcionada por você não mostrar aos outros este trabalho lindíssimo. Poderia te deixar famoso, se permitisse. Hahaha. Mas não há preocupação, estará aqui guardado como se tivesse trancado no meu próprio coração.”

  Michelle voltou ao seu quarto, vasculhou um de seus LP’s até escolher “Abbey Road”- The Beatles.
  Deitada na cama, os olhos fecharam-se e sem perceber, apagou por uns dez minutos, acordando assustada. Olhou para os lados e viu um papel debaixo de sua porta, ela correu para abrir, mas Julian já não estava lá.
“Sempre soube que você não era uma má pessoa, nunca errei em quem senti que poderia confiar, mas você, no momento que a vi, foi a índole mais forte que já me chamou a atenção antes. Você é uma garota especial, Michelle. Faz isso, com medo de decepcionar-se e sofrer, mas me impressiona já que és uma garota que gosta de correr tantos riscos.”
Ela devolveu por debaixo da porta dele, outro:
“Venha visitar-me aqui, às 23h03min. Quando todos estiverem dormindo, quero vê-lo. Até parece que trocamos cartas por morarmos tão longe”

Chapter 1 - When There Was Me And You

“Quando você é realmente importante para alguém, aquela pessoa sempre vai ter um tempo para você. Sem desculpas, sem mentiras e sem promessas quebradas.” — Tati Bernardi.

   São Paulo, 1997.
 — Mãe, o que há nessa caixinha? — Falara Bianca, seus olhos azuis brilhantes, encarando-a com um ar curioso. Tinha apenas 13 anos, tão doce, mas com uma curiosidade inquietante.
 — Vou contar-lhe uma história, querida.

  Barcelona, 1984.
 — Michelle... Ah, Michelle! Quando será um pouco compreensiva com todos nós?
 — Poupe-me com todo esse drama, mãe.
 — Eu estou lhe pedindo. São só alguns dias! O que eu mais poderia ter feito?
  Michelle cruzou os braços, inconformada. A mãe suspirou revirando os olhos, já sem argumento algum.
 — Tiro seu castigo.
 — Fechado.

  Michelle e sua mãe, Vivian, não se davam muito bem, eram bastante diferentes. A visão do caráter humano de cada era um tanto desigual.
  Vivian trabalhava em uma casa de reabilitação para pessoas especiais. Michelle não admitia que sua mãe pudesse ser extremamente bondosa com todos, não que isso seja ruim, mas a tornava besta para certas coisas. Por dar confiança demais em quem quer que seja. Michelle cria que a qualquer momento, se um mendigo lhe pedisse alguma moeda, ela o levaria para jantar em casa.
  E então, esse dia que tanto temia chegou: Sua mãe trouxe alguém consigo.
Eis a seguinte explicação por decidir trazê-lo:
  Vivian precisava levar algumas roupas para concerto. Estava um pouco irritada por uma briga besta que tivera com Michelle mais cedo, então entrou na primeira casa avistada; havia um garoto como atendente fazendo algumas anotações, perguntou-lhe:
 — Por favor, gostaria de saber quanto fica este montante.
  Ele continuou com a cabeça abaixada, fazendo suas devidas anotações. Ele a fitou por um momento, curioso sem entender se estava realmente falando com ele.
 — Sim, sim! Você mesmo. O que é?! Não pode falar?! — Ela empurrou seu braço.
  Ele então a olhou, com um ar desentendido, fez um sinal de “espere” com as mãos e saiu. Ela já irritada, resmungou:
 — Mal educado! Não poderia me responder?
  Então, ela percebeu que todos a olhavam de olhos arregalados, censurando-a.
Voltou uma mulher mais velha, com um olhar sério:
 — Algum problema, senhora?
 — Vocês têm um atendente muito mal educado. Nem ao menos quis me responder.
 — A senhora sabe onde está, não? Esta é uma casa onde as crianças do orfanato Lírio do Vale nos ajudam. Julian é mudo, ele nunca poderá responder-lhe por mais que quisesse ajudar.
  Vivian ficou pasma, sem saber o que dizer... Como poderia ter sido tão rude com uma criança? Nunca tinha passado por tamanho constrangimento. Pediu desculpas, acarretou suas coisas e saiu, sem qualquer reação.
  Não dormiu aquela noite pensando no garoto, esperou amanhecer e voltou ao local perguntando pela senhora mais velha com o olhar sério. Ela compareceu.
 — Voltou? O que quer?
 — Você é a responsável pelas crianças?
 — Certamente. Por que a pergunta?
 — Eu gostaria de adotar Julian. Sinto-me péssima pelo ocorrido, não conseguiria viver com esse peso na consciência. Preciso retribuir, e esse seria o mínimo que ele deve merecer.
 — Como devo saber que posso confiar em você? Julian é um garoto muito especial. Nos dois sentidos. Tanto por ser “diferente” quanto por ser muito inteligente e bondoso.
 — Eu moro aqui perto. Poderá visitá-lo e ver como está todos os dias. Ele poderá vir aqui, e continuar o trabalho se preferir. Apesar de não precisar, o que receber, claro, fica com ele.
 — Julian precisa mesmo de uma família, ele já tem dezessete anos e ninguém nunca o adotou... Quando nasceu procedente de uma mãe pobre e viciada em qualquer tipo de droga, lícita, ilícita, permitida ou proibida; o deixou para ignorar as despesas que teriam por ser especial. Entretanto o entregou ao mundo, foi passado de mão em mão; tanto sujas quanto limpas, até chegar aqui. Graças a Deus, não sei o que seria dele hoje se não tivessem o mandado. Consequentemente chegou um pouco mais velho, os pais preocupam-se em procurar apenas por crianças novíssimas. Quanto mais crescem, mais vão perdendo as esperanças, coitadas.
 — Oh, coitado... Mas então, dê-me esta chance! Por favor, Senhora... Fible, certo?
  Nome estranho, Vivian pensou. Tanto faz.
 — Sim, sim. Passe no orfanato as cinco desta tarde. Assinará alguns papeis, mas deixe para pegá-lo amanhã para poder se despedir das outras crianças. Oh, sentirão sua falta... Já estou até vendo, todas irão querer dormir com ele, no mesmo chão.
 — Eu espero que dê tudo certo, em relação à minha família, e principalmente a nós dois.
  E assim, Julian pôde finalmente dar um “Oi” ao seu novo lar.

Fic: All Or Nothing

"Mas teve um momento em que eu pensei que fosse dar certo. Que achei que fossemos o certo na vida um do outro. Mas não foi. Não fui. Não fomos. Não somos." — Quietude.

Era natal.
Aquelas árvores iluminadas por toda a cidade, todo mundo alegre e animado, esperando presentes e mais presentes de Papai Noel. Todo mundo parecia feliz. Todo mundo, menos eu.

Momento história trágica:Era natal quando tudo acabou. Eu e Nick namoravamos há dois anos e na véspera de natal... TCHARAM! Ele me vem com uma desculpa master esfarrapada e acaba tudo, deixando a Ava aqui chorando rios e rios de lágrimas por causa daquele idiota. E, um ano depois disso tudo, eu continuo pensando nele! 
Fim do momento história trágica.

Nick é realmente minha pedra no sapato. Uma bela pedra no sapato, é bom deixar claro. E uma pedra tão grande e chata que eu estou aqui, na frente da loja que ele trabalha, tentando criar coragem para entrar e vê-lo. Mas, o que eu, uma jornalista de artes, faria numa loja de instrumentos musicais? Eu não sei tocar nem campanhia! Mas, qual foi, Ava ? Você comprou o presente pro garoto, escreveu um cartão MEGA meloso e está aqui, na véspera de natal, um ano depois que ele te deu um pé na bunda, e não vai entrar pra falar com ele?
Ok, eu não sou tão idiota assim! É só contar até três e BUM: você entra.
1.
2.
3.
Pronto.
Comecei a encarar a loja. Baterias, guitarras, baixos, saxofones (eu já disse que amo saxofone? um dia, eu vou aprender a tocar!). Ora merda, cadê o Nick?
 — Nick, Nick, Nick... — Comecei a procura-lo por todos os cantos até que...
 — Posso ajudar? — Alguém tocou meus ombros e eu quase morro do coração.
 — CÉUS, VOCÊ QUASE ME MATA AGORA, GAROTO! - gritei
 — Desculpe, mas, eu sou novo aqui, não entendo muito disso tudo e... — Ele falou, meio nervoso.
 — Não precisa se desculpar! — Eu sorri. — O Nick tá aqui?
 — O Nickolai? Não, ele não veio trabalhar hoje... — Ele respondeu, vendo meu sorriso murchar na hora. — É muito importante? Por que, se for, eu posso dar o recado...
 — É, é realmente importante. — Dei de ombros. — Bem, obrigada!
 — Olha, se quiser, a namorada dele também trabalha aqui. — E apontou para o balcão.
  Espera ai: ele disse namorada?
 — Aquela dali é a namorada dele? — Eu encarei a loirona tatuada com cara de boêmia (para não dizer bêbada) atendendo alguém no balcão.
 — É, é a Stacy. — Ele explicou.
 — COMO É QUE ELE ME TROCOU POR AQUELA FREAK? — Quase gritei.
 — Bom saber que você tem algo contra Freaks... — Eu ouvi o garoto sussurrar.
  Foi aí que eu o olhei pela primeira vez. Ele tinha um cabelo freak, usava roupas freak, tinha um jeito freak. Mas, ele era diferente!
 — Desculpa, menino. — Sorri, timidamente.
 — Daniel. — Ele estendeu a mão.
 — Ei, Daniel. — Dei minha mão para ele apertar. — Ava.
 — Bem, Ava , eu não vou perguntar se você é, já foi ou quer ser namorada do Nick, ok? — Ele sorriu.
  Cara, ele tinha um sorriso tão bonito...
 — Só quero saber se você vai fazer algo hoje à noite...
 — Espera, você tá me chamando para sair? — Uau. — Sabe, eu posso ser uma psicopata, uma maniaca, louca, assassina em série... Como você sabe que eu não sou tudo isso?
 — Andando com quem eu ando, eu aprendi a reconhecer as pessoas loucas, acredite! — Ele sorriu. — Eu vou pegar minhas coisas, a gente podia dar uma volta, topa?
 — Mas, você não tem que trabalhar?
 — Meu horário acabou faz 15 minutos! Quando você entrou, eu ia me preparar para sair...
 — Então, por que você me atendeu? Vão te pagar hora extra?
 — Não, eu quis atender você por quê... — Eu vi que as bochechas dele coraram. — Por quê você é bonita...
  Nesse momento, não era só ele que estava corado, de verdade.
 — Eu vou lá, me espera aqu! — Ele tocou as minhas mãos, carinhosamente e saiu.

xx

 Me chame de louca, mas, eu estou andando pelas ruas de New Jersey com um garoto esquisito que acabei de conhecer e o máximo que sei sobre ele é o nome, idade e que ele tem uma banda chamada My Chemical Romance.
 — Isso que você tá carregando... São presentes? — Ele apontou para a sacola.
 — Ah, é... — Dei de ombros, lembrando dos presentes de Nick.
 — Eu quase esqueci que hoje é natal! — Daniel bateu na própria testa. — O que você vai fazer hoje?
 — Hum... Dormir! — Eu sorri e ele estranhou.
 — Que tipo de pessoa dorme no natal? Você não vai esperar Papai Noel? Não vai colocar meias na lareira? — Ele falou, surpreso.
 — Você parece uma criança falando assim! — Zombei. — E eu não vou esperar Papai Noel e nem vou colocar meias na lareira...
 — Qual a graça do natal se você não faz isso?
 — Natal é uma data comercial. — Eu expliquei e Daniel pareceu decepcionado. — Todo mundo sabe disso! Esse lance de árvore, presentes, isso tudo é besteira...
 — Pois eu pedi um presente para Papai Noel, tá bom? — Ele fez bico.
 — Ah é? E o que você pediu?
 — Não, só quem sabe é o velho Noel! — Daniel sorriu, fazendo um carinho na minha cabeça.

xx

"I wont ask for much this Christmas
I wont even wish oh I wont even wish.
I wont even wish for snow.
I’m just gonna keep on waiting underneath the mistletoe
I wont make a list and send it to the North Pole for St Nick
Wont even stay awake to hear the magic reindeer play
"

 — Adoro músicas de natal! — Daniel comemorou, cantarolando a música.
 — Tem alguma coisa no natal que você NÃO gosta? — Zombei.
 — Panetonne! Eu ODEIO Panetonne! — Ele sorriu. — Você gosta?
 — Não muito, mas sou acostumada! Todo mundo da minha familia adora...
  Eu e Daniel já tinhamos caminhado por todas as ruas da cidade, visto todos os Papais Noeis de lojas possiveis, vendo mães e pais sairem carregando pacotes e mais pacotes de brinquedos e já estava ficando tarde e todas as pessoas pareciam evaporar. Algumas ruas estavam desertas, lojas e mais lojas se fechando...
 — Cara, tá tarde! — Daniel olhou o relógio. — Minha familia já deve tá esperando...
  Nesse momento, qualquer sorriso que podia ter se formado no meu rosto, desapareceu. Ele realmente tinha que ir embora...
 — Mas, eu te deixo na sua casa! — Daniel pegou minha mão pela primeira vez.

xx

  O prédio que eu morava não era tão distante, chegamos rápido. Mas, eu não queria isso...
 — Bem, é aqui! — Parei na frente do apartamento.
 — Mais rápido que eu queria... — Ele sussurrou. Daniel abaixou a cabeça, meio timido, mas...
 — OLHA, VOCÊ TEM UMA BOTINHA DE DOCES! — E apontou para o enfeite preso na minha porta. — Papai Noel vai deixar seus presentes ai!
 — O velho Noel tem muitas crianças para lembrar, dúvido que ele lembre de uma marmanja de 22 anos!
 — Você que pensa assim...
  E ficamos em silêncio. Aquele silêncio chato, sabe? Que demonstra que as coisas estão acabando...
 — Bem, feliz natal, Ava. — Daniel aproximou-se de mim e, num impulso, encostei meus lábios nos dele.
  Daniel pareceu ficar impressionado no inicio, mas, ele percebeu que eu sabia muito bem o que estava fazendo e intensificamos o beijo. Eu fui me encostando na porta, sentindo Daniel cada vez mais perto. Quando um celular tocou... Era o dele!
 — Ok, eu já tô chegando... — Ele falou e desligou. — Eu tenho que ir...
  Abaixei a cabeça, timidamente, mas ele pegou meu queixo e levantou.
 — Te vejo amanhã? — Ele perguntou, aproximando e eu não pude deixar de sorrir. Desde Nick eu não havia sentido o coração acelerar, os estômago dar voltas, as pernas tremerem...
 — Claro... — Sorri. — Bom natal, Daniel!
 — Bom natal para você também, Ava! E que Papai Noel te traga um bom presente!
  Vi Daniel sair corredor a fora, sorrindo. Acho que o velho Noel já me deu um bom presente esse ano...

xx

 - no outro dia

  Acordei cedo no outro dia. Apesar de passar a noite de natal comendo pipoca e vendo series antigas na tv, eu estava feliz. Muito mais que feliz. Enquanto estava na cozinha, vi que havia uma mensagem nova na caixa postal.
 — Papai Noel me disse que passou num prédio e deixou um presente numa bota para uma marmaja de 22 anos! É melhor você checar... — Era a voz de Daniel.
  Corri até a porta e vi que minha botinha estava cheia de doces e um cartão sem assinatura, apenas com algumas poucas palavras escritas...

" just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
Baby, all I want for Christmas is YOU
"

  Eu não precisei pensar mais de uma vez para descobrir que havia me mandando o cartão e os doces! Quem era?
  PAPAI NOEL, LÓGICO! Agora, se vocês me permitem, eu tenho um presente de Natal para "ser". Até a próxima e tchau!

FIM.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Fic: Winter Wonderland

"Não sou muito fã de palavras, prefiro algo mais concreto."

 — Que ridículo. — Falei bem alto, várias pessoas me olharam. Só que para elas aquilo é a coisa mais normal do mundo. O fato de estarem naquele lugar, quero dizer.
 — Não quer falar mais alto? — Olivia me repreendeu. — Acho que alguém na Austrália ainda não escutou.
 — Aaaaa. Qual é, Olivia? Eu não preciso dessas coisas. — Fiz menção de ir embora, mas Olivia era mais forte e me segurou.
  — Emma. Você não precisa agarrar o cara, vocês podem só conversar.
 — E quem disse que EU vou agarrar? É claro que se ele for lindo, gostoso e com um sorriso perfeito eu agarro. Mas e se ele for feio e/ou chato demais? Pior: e se ele tiver um hálito horrível de agüentar? — Estremeci ao pensar nisso.
 Olivia havia me levado ao parque de diversões da nossa cidade. Era uma porcaria, pra variar. E o “brinquedo” que ela me levou era o Túnel do Amor. Fala sério.
 Só que não era um Túnel do Amor normal, aonde casais vão para ficarem se amassando no escuro. No parque da nossa cidade o Túnel do Amor pretendia FORMAR casais. Tipo, tínhamos que fazer duas filas: uma para garotos e uma para garotas. As duas filas eram separadas por um muro, para que ninguém visse com quem iria entrar no túnel.
 — Mais um pouco e será a nossa vez. — Ela disse toda animada.
 — Eeeeeba. – Ironizei.
 — Emma. — Olivia colocou a mão no meu ombro e me olhou séria. — Tá na hora da gente arrumar um namorado, né?
 — Eu tinha um namorado. — Protestei. — E eu amo ele.
 — Falou certo: tinha. Mas ele se mudou para o outro lado do país. Ele até deve ter outra namorada. E você está aí dizendo que o ama. E provavelmente ele nunca voltará para cá.
 — Espera aí. — A interrompi. — Você quer me animar ou me deixar pra baixo?
 — Ah, desculpa Emma. — Ela me abraçou. — Eu só queria fazer você abrir os olhos.
 — Eles estão bem abertos. — Encarei Olivia com os olhos arregalados.
 — Não desse jeito, tapada. — Ela riu. — Você me entendeu.
 — PRÓXIMOS. — O carinha que estava cuidando dos “casais” que entravam no túnel gritou.
 — Sua vez. — A Olivia praticamente me empurrou para dentro do túnel. Nisso eu bati em alguém e caí no chão. De bunda.
 — Desculpa. Minha amiga me empurrou. — Falei enquanto o ser {?} me ajudava a levantar.
 — Tudo bem. – Eu conhecia aquela voz. — Vamos?
 Foi então que eu vi a cara dele, e quase caí no chão de novo.
 — Você?! — Olhei para trás e vi com quem Olivia iria entrar no túnel. Com o Alexander, amigo de William (o cara mais lindo do mundo). Pelo menos alguém vai ficar feliz com tudo isso.
 O caso é que eu vou com o William no túnel. Ele pode até ser lindo e tal, mas eu o odeio. É por culpa dele que agora eu sou uma adolescente traumatizada. Estou exagerando, eu sei. Mas eu tive uma infância perturbada e ele é o principal responsável.
 William ainda esperava a minha resposta. Olhei para Olivia pedindo socorro e ela só me mandou seguir em frente. Que amiga eu tenho, não?
 — Já que não tem outro jeito. — Dei de ombros e segui para dentro, e quando estávamos longe dos olhares dos outros fiz questão de me afastar dele.
 — Emma, venha. — Ele entrou no barquinho que só cabem duas pessoas. — Não deve ser tão ruim assim passar 20 minutos do meu lado.
 — Acredite, é sim.
 — Moça, — O carinha que cuidava do túnel me chamou. — é melhor entrar logo, há outras pessoas que querem entrar também.
 — Tá! — Falei de má vontade e sentei ao lado de William, que se aproveitou da falta de espaço para colocar o braço em volta do meu dos meus ombros.
 Nos primeiros cinco minutos fiquei olhando para qualquer lugar que não fosse na direção de William. Ao contrário dele, que me encarava descaradamente.
 — Qual é, Emma? Estamos no túnel do amor. — Ele enfatizou a parte “do amor”. — Podíamos pelo menos conversar.
 — Hunf. — Resmunguei.
 — Não me obrigue a te agarrar. — Apesar de não estar olhando para ele, pude perceber um tom divertido e malicioso naquelas palavras.
 — Não ouse! — Me virei para ele, meu rosto ficando a centímetros de distância do dele. — Não...
 Aaaaaaai... Por que ele tem olhos tão hipnotizantes?
 — Não, William! — O empurrei para longe, como se aquilo fosse mesmo possível. — Sem chance.
 — Me dê um motivo. — Sua voz tinha o tom de quem não acreditava que levou um fora.
 — Eu não quero. Te odeio. E... Eu não quero, ué. Pronto, três motivos.
 — Mas você repetiu um. — William protestou.
 — De qualquer jeito foi mais de um.
 — Hunf. — Foi a vez de ele resmungar e virar o rosto.
 E então eu comecei a rir. Pelo menos eu estava achando aquela situação bem engraçada.
 — Tá rindo do que, louca? — William olhou pra mim, e eu ri mais ainda ao ver sua expressão.
 — Não sei. — Continuei rindo por um bom tempo.
 — CHEGA! — William disse bravo. Não pensei duas vezes e parei.
 — É que eu achei engraçado...
 — Olha, por que a gente não pode conversar? Sei que brigamos no passado. Mas o destino fez com que a gente passasse 20 minutos sozinhos.
 — E você acredita em destino? — Perguntei curiosa. Não sabia que William era disso.
 — Só quando ele me traz coisas boas. — Dito isso ele avançou na minha boca.
 O susto fez com que eu ficasse paralisada, mas não levou muito tempo e minha consciência tinha voltado. Empurrei William de novo.
 — Aposto um beijo que você me quer. — Ele disse de um jeito sedutor, sussurrando no meu ouvido.
 William sorriu ao perceber que eu havia ficado paralisada com aquela atitude dele. Não vou dizer que não gostei. Porque... UAU! Nunca que eu ia imaginar que William era do tipo que fazia joguinhos.
 — Apostado. — Apertei a mão dele, e ele foi se aproximando de mim novamente. — Mas eu não disse que queria você.
 E de novo, William virou o rosto para o outro lado. Dava para perceber que estava pensando, ou melhor: planejando algo. Às vezes ele balançava a cabeça como se não gostasse do pensamento.
 — E que tal isso. — Ele escolhia bem as palavras: — Aposto um beijo que você não fica comigo.
 — Apostado. Espera aí. O QUÊ? — Mal deu tempo de respirar direito e William avançou em minha boca como uma leoa em defesa dos seus filhotes. Ok, péssima comparação.
 Mas era mais ou menos isso mesmo. Dava pra sentir o quanto ele queria me beijar. Não vou mentir. Quando vi o quão lindo ele se tornou deu vontade de agarrá-lo na frente de todos. Mas daí a lembrança da minha infância me veio à mente e eu desisti da idéia. E foi o que aconteceu agora.
 — Não posso. — Preciso dizer que o empurrei de novo?
 — Emma. O que houve? — Ele olhava bem fundo nos meus olhos. — Você quis. Eu percebi. Mas...?
 — William. Eu te odeio desde que éramos pequenos. E não sei se conseguirei te perdoar por aquilo...
 — Me perdoar por o quê? Eu nunca fiz nada contra você.
 — Ah, não é? “Pedaços de revistas espalhados pelo chão de um quarto, com latas de tinta ao lado” não te lembra nada?
 — Do que você está falando? — Passado um minuto ou dois ele entendeu. — Isso faz tanto tempo. E como você disse: éramos pequenos.
 — Você sabe quanto levou para eu convencer os meus pais a me darem todas aquelas revistas do X-men? Eu estava com a metade da coleção completa. E você simplesmente arrancou quase todas as páginas, pintou outras. Não deixou nada.
 — Emma. — William segurou meu rosto firme. — Éramos duas crianças. E... E eu...
 — Você...?
 — Hora de sair, pombinhos. — O cara que cuidava do túnel falou todo alegre, mas não estava tão alegre quando reparou que eu e William não estávamos nos agarrando. — Por que não estão se beijando? Sabe, normalmente os casais até brigam comigo quando chega a hora de sair.
 — Nós dizemos “aleluia”. — Falei, saindo do barquinho depois de William. — William, me espera! O que você ia dizer lá dentro?
 — Não tem mais importância.
 — Vai me deixar curiosa? — É sério. Eu fiquei realmente curiosa.
 — Vou. Olha, o Alexander e a Olivia já estão vindo.
 Esperamos juntos, e em silêncio, o barco dos nossos amigos se aproximarem. Um silêncio estranho se formou, se me permite dizer. Parecia que o William tinha algo muito, mas muito importante para me dizer. Pelo jeito que ele segurou meu rosto, olhou nos meus olhos... não podia ser algo sem importância.
 — Hora de sair, pombinhos. — Ouvimos o cara falando alegre de novo. — Isso é que é casal. — Percebi a indireta quando ele nos olhou.
 — Idiota. — William resmungou. Pelo menos eu entendi como um resmungo.
 Olivia e Alexander quase caíram. Mas como eles queriam caminhar e se beijar ao mesmo tempo? Pareciam dois bobos apaixonados. De qualquer jeito eu fico feliz pela minha amiga.
 — Alexander. — William o chamou. — Vamos, temos que ensaiar.
 — Ensaiar o quê? — Perguntei curiosa.
 — Nós temos uma banda. — Alexander falou, finalmente soltando Olivia. — Mas eu nem sabia que a gente tinha ensaio hoje.
 — Marcaram de última hora.
 — Ah! Então, estamos no começo ainda. Mas acho que podemos conseguir um contrato com uma gravadora logo, logo.
 — Claro que conseguem. — Eu realmente não sabia que a Olivia era tão assanhada. Ela não é – no caso, era – do tipo que vai agarrando os caras primeiros. Deve ser porque ela realmente gosta do Alexander.
 Quantas noites Olivia e eu ficamos conversando sobre Alexander. Na verdade ela falava, eu só ouvia.
 — Como é o nome? — Perguntei para William, já que Alexander não ia me responder.
 — Son of Dork. — Ele respondeu sem me olhar. — Vamos, Alexander. Se chegarmos tarde de novo os caras vão matar a gente.
 — Em quantos vocês são?
 — Somos cinco, Olivia. Tenho que ir, amorzinho. — Alexander falou todo fofo. — EU TE LIGO! — Ele gritou, porque William o arrastava.
 — E então, como foi? — Olivia perguntou toda empolgada.
 — Não foi. — Me virei para ir embora do parque.
 — Como assim? — Ela corria para me alcançar.
 — A gente até se beijou e tal. Mas daí eu me lembrei daquela história com as minhas revistas. E não consegui mais.
 — Mas você queria, certo?
 — Você viu como o William tá super lindo? É claro que eu queria. Mas não deu.
 — Eu acho que você devia esquecer isso. O William parece ser um cara legal. — Olivia me alertou. Claro, ela fala isso porque está super feliz com o Alexander. — Tive uma idéia.
 — Fala. — Revirei os olhos. As idéias dela às vezes eram doidas demais para serem colocadas em prática.
 — Eu peço para o Alexander se a gente pode ir ao ensaio. Aí você conversa com o William. E a gente ainda vê o Son of Dork. O que acha?
 — Tá, tudo bem. — Dei de ombros. — Mas você conseguiu pegar o número dele no meio de todo aquele amasso?
 — Cala a boca. — Ela me deu um pedala, e doeu, se quer saber.

Versão William.
 — Vocês querem vir ao nosso ensaio? — Ouvi Alexander falando no celular. Ele me olhou desesperado. — Vou ver com o pessoal, amorzinho.
 — Diz que sim. — Sussurrei. — Pede para elas irem à sua casa daqui à uma hora.
 — Por que na minha casa?
 — Porque sim. Responde logo, senão o seu “amorzinho” vai achar que a deixou no vácuo.
 — Claro que podem, linda. Vão à minha casa daqui uma hora. Pode ser? — Ele esperou um momento. — Ok, até depois, então. Beijos.
 — Seu amor me enoja. — Brinquei. Mas acho que Alexander não entendeu.
 — Fala isso porque não conseguiu agarrar a Emma.
 — Para a sua informação eu consegui sim. Só que por causa disso que eu fiz quando era pequeno ela não quis mais.
 — E agora você vai tentar concertar isso como...?
 — Espere e verá. Vamos logo... Temos menos de uma hora até elas chegarem na sua casa.
Fim da versão William.

 — Agora que me ocorreu essa idéia.
 — Que idéia, Emma?
 — O que eu vou falar pro William?
 — Sei lá. Chama ele para um canto e o agarre ué.
 — Olivia, você não era assim. — Falei brincando. Ela apenas deu de ombros. — Toca a campainha.
 — Por que eu?
 — A casa é do Alexander. Você toca. Simples.
 — Tá bom. — Olivia bufou e tocou a campainha.
  Um minuto depois Alexander abriu a porta sorridente.
 — Oi, meninas. Entrem.
 — Oi, Alexander. — Falamos em coro e entramos na casa dele.
  Uau. Que grande. Deve ter uma piscina lá atrás. Eu realmente não sabia que Alexander tinha tanto dinheiro assim. Agora boto fé no relacionamento dele com a Olivia. Tá, eu não sou interesseira, mas desejo uma vida confortável para a minha amiga e meus futuros afilhados.
 — Vocês não estão ensaiando? — Perguntei depois de perceber que a casa estava muito silenciosa.
 — Sim. Estamos. Lá no porão. — Alexander respondeu meio nervoso. — Mas é que eu vim para cima para pegar... er... alguma coisa pra gente comer. É. Isso.
 — Quer ajuda?
 — Quero sim, obrigado.
  Fomos até a cozinha dele. Que era igualmente grande. Com geladeira de duas portas e tudo o mais.
 — Podem pegar uns pacotes de salgadinhos naquela porta? — Ele apontou para a tal porta, e eu e Olivia pegamos.
  Vi Alexander pegando só 4 copos, será que estava faltando alguém? Bem que ele poderia pegar copos para mim e para a Olivia também. Que falta de consideração com a visita. Mas acho que ele não queria que víssemos aquilo, pois colocou os copos numa cesta de piquenique, junto com os salgadinhos e o refrigerante.
 — Vamos? — Ele foi em direção ao porão. Olivia e eu o seguimos, que escolha tínhamos?
  Quando chegamos lá em baixo eu não vi guitarras, baixo ou bateria. Só vi uma caixa. E William ao lado dessa caixa.
 — O que está havendo? — Olhei para William.
 — Vocês não tinham ensaio da banda? — Olivia perguntou confusa.
 — Nós mentimos. — Alexander falou abaixando a cabeça, em sinal de culpa.
 — Como assim? Não existe Son of Dork?
 — Não é isso, Emma. — William deu um passo em minha direção. — Son of Dork realmente existe. Mas os ensaios são na casa do Noah, não na do Alexander.
 — Então por que disseram que era aqui? — Olivia estava um pouco assustada. — AI MEU DEUS. Vocês vão seqüestrar a gente!?
 — Seqüestrar? O quê? Não, amorzinho.
 — Não me chame de amorzinho. Emma, vamos sair daqui. — Ela nem esperou a minha resposta, foi sozinha para cima.
 — OLIVIA! — Alexander gritou, e foi atrás dela. Me deixando sozinha com William.
 — Dá para me explicar o que está acontecendo? — Cruzei os braços e fiquei batendo um pé em sinal de impaciência.
 — É melhor eu mostrar. — Não entendi o que ele quis dizer com isso.
 William abriu a caixa e tirou uma revistinha de lá de dentro. A edição número 1 do X-Men.
 — Você...? Por que...?
 — Bom, se eu estraguei as suas revistinhas... Acho que eu deveria comprar outras para você. Sei que é importante.
 — Obrigada.
 — Não tem todas. Falta uma boa parte. Mas já é alguma coisa.
 — Por que fez isso? — O encarei confusa. Não é sempre que o cara que destruiu suas revistinhas te dá várias delas para você voltar com a sua coleção.
 — Porque... sabe... garotos pequenos fazem coisas com as garotas para chamar atenção quando eles...
 — EMMA! — Olivia chegou, para meu azar.
 — O que você quer? — Lancei um olhar furioso para ela.
 — Ah! Você não...? — Ela olhou para William, mas não consegui ver o que ele fez em resposta. — Desculpa. — E voltou para cima.
 — O que você ia dizer?
 — Nada. Por que sempre interrompem quando eu... — Não o deixei terminar. Algo me fez querer ir até onde ele estava e beijá-lo. E foi o que eu fiz. — O quê?
 — Estou pagando minha aposta.
 — Qual delas?
 — “Aposto um beijo que você quer”.
  Até parece aquela coisa de filme de adolescente, não é? Eu o odiava no começo, mas agora o amo. Mas quem não resistiria a um cara que gastou um monte só para te devolver algo que tirou de você? Ainda mais sendo uma coisa banal como revistas dos X-Men.
  Mesmo assim eu amei. Não só a atitude do William. Mas tudo que envolve ele.

Fim.

sábado, 11 de maio de 2013

Capítulo 8 - Afraid - Final

"Olha, não sei qual dói mais. Quando acaba, quando sentimos que acabou, ou quando a gente precisa cair na real que acabou e já faz tempo."

  Passaram-se semanas e tudo estava do mesmo jeito. Perfeito. Eu estava com o Jacob. É, ele não me deixou como eu pensei. Sophia e Ethan firmes e fortes, como sempre. Acho que eles foram feitos um para o outro, que dure para sempre. Michael e Jayden? Nunca mais vi, mas soube que estavam em uma vida boa, saindo em várias festas.
Peguei meu computador e fui mexer no meu e-mail. Nenhuma mensagem nova.
Meu celular tocou.
 — Amor! — Atendi Jacob.
 — Oi, linda! Que tal sairmos hoje?
 — Perfeito, aqui está tão monótono. — Fiz voz triste.
 — Ok, pode ser agora? Sinto a sua falta.
 — Claro! Minha mãe já deve estar chegando do trabalho. Vou falar com ela.
 — Tá, beijo.
 Abri o armário e peguei um lindo vestido. Terminei de me arrumar e desci as escadas ouvindo minha mãe abrir a porta.
 — Filha, tenho uma notícia maravilhosa! — Minha mãe gritou entusiasmada.
  Abri a geladeira e peguei água.
 — O que, mãe? — Coloquei água no copo e me sentei na cadeira.
 — Vamos nos mudar! Não é ótimo?
  Nesse momento me engasguei com a água.
 — Calma, filha! — Ela se aproximou de mim e eu consegui me controlar.
 — Vamos o quê? — Disse ainda tossindo.
 — Nos mudar! Eu consegui um lugar melhor para trabalhar. — Ela falou e sorriu.
 — Mas e o meu colégio, meus amigos, minha vida nesse lugar?
 — Vamos começar uma vida nova, Isabella!
 — Eu não quero uma vida nova!
 — Desculpa, filha, mas isso é bom para nós duas.
  Meus olhos ficaram embaçados e eu perdi a respiração. Subi correndo as escadas com o pouco de fôlego que eu tinha e me tranquei no quarto. As lágrimas desceram no momento que a porta fechou.
  Eu ia perder tudo, justamente quando consegui ser feliz, quando tudo estava perfeito eu tenho que me mudar e arruinar tudo novamente. Me joguei na cama e comecei a chorar desesperadamente.
  Quando me recuperei, desci as escadas e avisei para minha mãe que ia me encontrar com o Jacob.
 — Demorou, hein! — Ele falou assim que eu apareci.
 — Oi, Johnson.
 — O que houve?
 — Minha mãe chegou com uma notícia horrível.
 — O que?
 — Vou me mudar.
 — Espera. Acho que escutei errado. Você o que?
 — Eu vou me mudar, vou para outro lugar.
 — Mas e a gente?! — Ele disse com cara de espanto.
 — Minha mãe falou que eu vou viver uma vida nova. — Meu olho começou a ficar embaçado e, dessa vez, eu não consegui segurar por muito tempo. — Não quero deixar você, amor.
 — Eu também não, Isabella. — Ele quase chorou, mas se conteve.
  Ficamos nos consolando até tarde da noite e depois voltei para casa.
 Acordei com uma mensagem de celular.
 
Primeiro a chuva, depois o arco-íris. Sempre nessa ordem.
Beijos, Sophia.

 Chorei de novo. Com certeza Jacob contou para Sophia. Eu ia me mudar hoje. Não podia fazer mais nada. Eu ai viver em outro lugar. Perder os meus amigos.
 Chegou a hora, peguei as malas e vi Sophia, Ethan e Jacob na porta da minha casa.
 — Amiga, você não sabe a saudade que vou sentir! — Ela falou secando as lágrimas.
 — Aaaaaaai, amiga! — A abracei. — Eu tenho e-mail, se lembre disso.
 — Isabella, te desejo tudo de bom pra viagem e que tudo fique bem lá! — Ethan me abraçou e eu retribui o abraço. — Sabia que sinto saudade das nossas conversas?
 Isso me fez lembrar no meu passado, quando eu era amiga dele. Conversávamos sobre tudo, era perfeito. Foi naquela época também que eu namorava Jacob. Era melhor parar de pensar nisso...
 Chegou a hora de falar com Jacob. Não acreditava que tudo ia terminar assim.
 — Vou sentir sua falta, sabia? — Ele disse me abraçando.
 — Eu também, Johnson. Muita saudade. — Retribui o abraço.
 — Nem na hora de ir embora você me chama pelo nome?
 — Você sabe que eu sempre te chamei assim, isso não vai mudar. — Sorri.
 — Te amo. — Ele me beijou.
 — Também, Johnson. — Demorei em falar Johnson e ele riu.
 — Tchau, Smith. — Ele sorriu.
 — Tchau. Tchau, gente.
 Entrei no carro e fui embora, deixando tudo para trás. Isso não podia terminar assim, poxa! Eu fiz tudo para dar tudo certo e quando eu consigo, vou embora? Droga.
 A nova casa era linda, porém não era ali que eu queria estar.
 — Mãe, vou pra praia.
 — Tá.
  Abri a porta e vi a praia em frente. Andei até a beira do mar e senti a brisa no meu rosto e o som das ondas. Estava sol, mas não tinha quase ninguém, pois o vento estava gelado.
 Dei mais um passo e ouvi um barulho, olhei para baixo e vi um graveto. Peguei e andei para mais perto da água, respirei fundo de comecei a escrever na areia “There's only 1 thing, 2 do, 3 words, 4 you: I love you”
 A musica que Jacob e Ethan fizeram a muito tempo para a aula ficou na minha mente, até porque foi com ela que eu descobri que gostava do Jacob. Olhei para a letra na areia enquanto a onda desfazia tudo. Assim que as letras saíram escrevi: “As easy as 1, 2... 1, 2, 3, 4
  Queria que fosse mesmo tão fácil quanto 1,2,3,4. Pensei.
  Olhei novamente e ouvi um grito, cada vez mais alto.
 — Isabella! — Consegui entender o que ele falava. Olhei para o lado e vi Jacob correndo na areia.
 — Jacob? — Cocei os olhos para ter certeza que era ele.
 Ele chegou perto e me abraçou.
 — Não ai conseguir viver sem você, linda.
 — Eu não acredito que você tá aqui! — Eu o beijei e depois ele sorriu.
 — E dessa vez para ficar.
 — Mas, mas você tem que ficar lá, sua vida é lá. — Falei preocupada.
 — Minha vida não é lá, — Ele me olhou sério. — Minha vida é com você.
  Sorri e o beijei.
 — Ah, Sophia mandou um recado. — Ele parou para pensar qual era. — Ela disse: “Já tá tudo pronto, vou te ver todo mês”
  Quase chorei de felicidade. Jacob ia ficar comigo e Sophia ia me ver sempre.
 — Vai ficar comigo pra sempre, Jacob? — Sim, eu o chamei de Jacob pela primeira vez.
 — Jacob, é? — Ele riu. — Vou ficar com você pra sempre.
  O beijei.
Fim!

Capítulo 7 - Afraid

"Como se resolvesse me declarar em versos que você nunca vai ler."

  Minha cabeça já estava doendo de tanto chorar, mas eu não conseguia voltar para casa. Ele estava a beijando de novo, do mesmo jeito que havia acontecido antes: eu ia a casa dele e passava pelo maldito corredor, virava para o quarto e o via beijando aquela garota que só vivia para me atormentar. E ele estava fazendo isso de novo, do mesmo jeito.
 Levantei devagar até o carro e tentei me recompor do que aconteceu, eu não podia ficar assim por causa de um pegador sem coração.
  Entrei no carro e abri o vidro, quando ouço gritos chamando o meu nome. Olhei pelo retrovisor e vi que Jacob estava correndo desesperadamente até o carro. As lágrimas desceram novamente pelo meu rosto e eu liguei-o. Ia acelerar o deixando lá trás, mas ele apareceu no vidro segurando o carro.
 — Isabella, não foi isso que aconteceu! Por favor, me escute! — Ele suplicava na porta e a vontade de acelerar o carro e deixar ele ali era muito grande.
 — Ah, e o que aconteceu dessa vez? Ela te beijou a força novamente? — Fiz cara de deboche e desliguei o carro.
 — Foi! Me beijou assim que você chamou na porta. — Ele segurou mais ainda o vidro, acho que ele saiba que eu ai sair dali, então tentou me prender lá.
 — Não vou perder o meu tempo ouvindo idiotices suas não, Johnson! — Eu liguei o carro novamente.
 — Não, Isabella! Confia em mim! — O seu rosto era de desespero.
 — Você prometeu, e a beijou. Acha mesmo que eu vou confiar em você? — Acelerei o carro e fui embora o deixando para trás.
 Que ele fique com aquela cobra, que morra com ela, não quero mais perder o meu tempo com aqueles dois frustrados.
 Cheguei em casa e me tranquei no quarto, fiquei um bom por lá. Não queria mais pensar no Jacob, mas ele não saia da minha mente. Tomei um banho demorado, peguei um livro bom e muito grande, para deixar minha mente ocupada por um tempo e deitei na cama para ler. Escutei a campainha da porta tocar, desci as escadas e odiei a minha mãe por não ter comprado uma porta com olho mágico. Abri a porta e dei de cara com Jacob com um rosto de desespero e todo molhado de chuva. O cheiro de terra molhada invadiu a sala e eu limpei as lágrimas do meu olho rapidamente, me achando uma idiota por pensar que ele não ia perceber que eu tinha chorado. Esperei ele dizer alguma coisa, mas ele apenas olhava fixamente para mim. Sem dizer nada. Segurei a porta e a empurrei para fechar na cara dele, porém ele segurou.
 — Bella... — Ele abriu de novo a porta, empurrando-a contra mim.
 — Isabella. — Eu o corrigi, não queria que ele me chamasse pelo apelido, não nessa situação que nos encontrávamos.
 — Me desculpa, tá? Ela me beijou! Eu não gosto dela. Não é dela que eu gosto! É de você. Você...
 — Não é de mim, Johnson... Quando eu cheguei lá vocês estavam se beijando. Não é de mim que você gosta.
 — Isabella, se eu não te amasse você acha mesmo que eu ia vir até aqui a pé, na chuva, só para tentar explicar que você é a mulher da minha vida? Que a Raven é uma problemática que só quer acabar com o nosso amor? Poxa, eu te amo! Amo seus olhos, seu cheiro, seu cabelo, seu jeito. Quando nós namorávamos, ela me beijou e acabou com o nosso relacionamento, eu sofri e muito. Eu te perdi e não vou perder novamente. Não vou.
  Ele se aproximou e eu fiquei sem reação. Jacob segurou meu rosto e me beijou. Seu corpo estava gelado por causa de chuva, mas eu não liguei, só queria aproveitar esse momento. Ele me beijava intensamente e eu não conseguia me separar dele, mas eu tinha que fazer isso, precisava. Empurrei-o para longe de mim.
 — Isabella, eu... — Ele ia começar a falar, mas parou assim que sentiu sua bochecha arder por causa do tapa que dei em sou rosto. Ele colocou a mão na bochecha e olhou para mim com cara de dor. — Desculpa, eu sou um idiota mesmo... Eu merecia isso e sei disso. Vou te deixar em paz. Adeus.
 O adeus que ele disse, me fez desabar.
  Cai no chão e comecei a chorar descontroladamente, não conseguia suportar perdê-lo, de novo... Pelo mesmo motivo, do mesmo jeito. Ele ia embora e eu ia me sentir como se tivesse perdido uma parte de mim.
 — Isabella, por favor. Me dá uma chance, só essa. Eu vou expulsar ela da minha casa e nunca mais vou vê-la! Por favor, só uma chance. Eu te amo. — Ele chorava assim como eu. — Eu te amo de verdade. Fica comigo.
 Eu não sabia o que fazer. Eu o amava, mas ele tinha beijado outra. Se eu desse a chance, ele ficaria comigo de verdade?
  Não tinha outra escolha. Eu o amava.
 — Você é um idiota, como pode fazer isso comigo? — Eu falava entre soluços. — Eu te amo! Você não pode me fazer sofrer assim... Você prometeu!
 — Desculpa. Eu juro que agora vai ser diferente. Ela sai da minha casa e da minha vida hoje ainda. — Ele se aproximou de novo, mas esperou eu o beijar. Ele não queria levar outro tapa, acho. E foi o que eu fiz, o beijei, beijei de novo e mais uma vez... E ficamos assim por um bom tempo.
 — Vai, minha mãe já vai chegar! — Eu o empurrei para fora de casa.
 — Ei. — Ele parou e olhou para mim.
 — Que foi?
 — Eu te amo. — Ele falou, depois sorriu e me beijou de novo.
 — Tchau, seu chato. — Sorri para ele e o empurrei de novo para fora de casa.
  Fechei a porta e me encostei nela, sorrindo abobada. Dessa vez Jacob era meu e não ia o deixar escapar de novo.
  Abri a porta devagar e o vi pulando e dançando no meio da rua. Sorri, fechei a porta e subi para meu quarto.

domingo, 19 de maio de 2013

Chapter 10 - When There Was Me And You - The End

“Sabe quando você quer chorar? Quer gritar, berrar, deitar na cama, ouvir músicas tristes e não sair de lá… Mas continua parado no mesmo lugar fingindo que tudo está bem?” — Glee.

Barcelona 1984.
 — Queria ter conhecido papai, mãe.
  Foi quando Michelle não sabia se sorria ou impressionava-se. Mas sorriu, pois ora, quem é seu pai? De alguém inteligente, deve surgir uma espertinha.
 — Hora de dormir, mocinha.
Michelle cruzou os braços envoltos das pernas da criança, e a colocou na cadeira de roda, levando-a até o quarto e deitando em sua cama.
 — Boa noite, pequena. — Falou dando um beijo em sua testa.
 — Mãe não fica triste, tenho certeza que papai sabe que você sente sua falta e que deve ter acontecido alguma coisa.
 — Éramos muitos novos, amor.
 — Não há idade para isso.
 — Está bem hein, chega de livros de romance garotinha.
  Apagou a luz do quarto, e voltou ao seu. A caixinha ainda estava lá aberta, pois Bianca olhara curiosa, claro, as cartas de Julian. Mas havia algo que Bianca não poderia achar, Michelle arrancou o chão da caixinha, havia algo embaixo, era uma reportagem.

Morto em silêncio. Órfão de dezessete anos, após deixar sua família que o adotara com muito amor, voltou aos braços do pai na esperança de que realmente o esperou por dezessete anos para finalmente estabelecer a responsabilidade de ser um bom pai. Entretanto, foi apenas um objeto de vingança à mulher. Julian Shaffer esperou dezessete anos por um pai, e um pai esperou dezessete anos por uma vingança. Ninguém ouviu seu grito, seu desespero, pois como é possível já que as cordas vocais do garoto nunca lhe deram permissão desde que nasceu? É encontrado restos de seus corpos queimados, e não se sabe hoje onde o pai está. Passeatas gritam por justiça na frente do parlamento, todos os dias, e nenhum deles os escuta. Dona do orfanato, Sra. Fible, encontra-se também desaparecida, suspeita de envolvimento com o assassino José Freitas, por ter sido usada para dar confiança a família quanto ao sujeito.

 Michelle acende um cigarro, e com o isqueiro queima a reportagem, a fim de que a única coisa que quer deixar em suas lembranças seja o que Julian deixou de bom a ela.

FIM!

Chapter 9 - When There Was Me And You

“Você sabe, não sabe? Sabe que eu te daria o mundo inteiro, se eu pudesse. Que eu pediria paz ao Oriente Médio se você quisesse. Que iria ao espaço só pra te trazer um pedacinho da lua. Sabe que eu iria contra todos e tiraria qualquer mal que chegasse perto de ti. Sabe que eu faria tudo. Tudo por você. E com você. E pra você.” — Iolanda Valentim.

  Michelle culpava a todos, e principalmente descontando a maior raiva na mãe, dizendo que a culpa era dela, por ela não ter pegado nenhum telefone, por não ter envolvido nenhum advogado, que tipo de mãe afinal é essa.
No outro dia acordou, mais um dia afogando em suas próprias lágrimas. Estava acostumada, chorou todos os dias, desde a partida de Julian, sim. Um ano para não chorar mais nenhum em sua vida. Por isso, este dia, foi diferente, ela enxugou seu rosto, correu a escrivaninha e redigiu o seguinte:
Eu o vi esta noite. Daquele mesmo único modo, que consigo: Sonhando. Estavas belíssimo. Beijavas-me com uma paixão... Intensa. Caloroso, entusiástico e impetuoso. Era tão real que cheguei a pensar se estava mais uma vez junta as minhas fantasias. Meus devaneios. Cada detalhe... Suas mãos tocando levemente a minha, seu olhar desesperador ao encontro dos meus. Eu e você, mais nada a atrapalhar. Finalmente te encontrei. Ao acordar, uma grande aflição acompanhada de opressão e tristeza abraçou-me. Indefinível era quem/o quê me tirou as forças para levantar. Minhas lágrimas saltavam involuntariamente. Tentei voltar a dormir, a te encontrar mais uma vez; nada aconteceu. Com meus olhos já inchados, optei pela desistência. Encontro-me aqui, de volta à realidade: Sem você para acompanhar-me. Se só te tenho em meus sonhos, porque insisto em te querer? Quero-te tanto, e ao te ter por te querer, é do jeito que não quero te quer: não o possuo. Sonho com o irreal e sou egoísta por achar o impossível mais atraente... Que ser humano escárnio. Tire-me todas as minhas emoções. Se Julian não voltava para vê-la, ela então precisava dizer-lhe de qualquer modo como se sentia como ele foi capaz de deixá-la daquele jeito. Colocou em um envelope sem remetente e endereçado, como sempre o faziam para mandar estas cartas um ao outro. Pegou uma mochila, abriu seu guarda-roupa, colocou a caixinha onde guardava as cartas de Julian, algumas roupas, pouco dinheiro que juntara e saiu quando não havia ninguém em casa, evitando despedidas, pois odiava. Ela precisava fazer isso, por ela, por eles, e por tudo.
Só falaria com uma pessoa: Sua mãe. Só estava ela em casa, ela desceu as escadas com a mochila nas costas, e Vivian a olhou com repreensão.
 — Então é essa a solução? Ir embora? Deixar-nos?
 — Mãe, por favor. Eu sei que não tenho sido muito compreensiva esses dias... Mas queria que a senhora me entendesse, deixe-me conversar; se estou aqui, agora falando com você antes de ir é porque confio, e preciso.
  Ela a olhou, sem acreditar, respirou fundo e respondeu-lhe: - Diga.
 — Eu estou grávida.
 — O quê?!
 — E vou embora. Meu pai me deserdaria se soubesse de uma filha grávida sem ser casada. Eu vou viver minha vida longe disso tudo, eu preciso me libertar do ar de toda essa cidade, pois tudo está poluído com suas lembranças. Por favor, me entenda. Eu não vou abortar, é um pedaço dele em mim.
 — Venha cá. — Ela abraçou Michelle forte. — Apenas nós duas sabemos que diante de qualquer discussão que tivermos, mesmo que repentina, no final fico feliz por você saber que sou eu quem deve contar. Então, se é assim que queres... Será assim. Fingirei que nada sei, e te mandarei dinheiro para onde estiver. Mas terá que lutar, vai quebrar a cara, vai erguê-la novamente. Mas sabe que se for, foi. Não sabe?
 — Eu sei. E sentirei sua falta, me desculpe. Desculpe-me.
 — Não, eu nunca vou perdoar-lhe.
 — Eu entendo.
 — Mas sempre vou amá-la.
 — Eu também.
 — Agora vá logo, pois odeio despedidas.
 — Elas me enojam.
  E assim se despediram, e Michelle caminhou até a estação.
  Pegaria quantos trens fossem necessários para chegar a Barcelona, não fazia idéia de como viveria lá, do que viveria como sobreviveria. Só que iria. Não havia medo, nenhum, pois levava consigo uma parte dele. E isso lhe dava forças. Olhou para o horário da chegada do trem, restavam algumas horas, quando avistou um carteiro pegando algumas cartas da caixa de envelopes, para as cartas serem mandadas. Ela esperou ele sair, e foi até lá, pegou da bolsa seu envelope em branco com a mensagem dentro a Julian. Por nenhum segundo, achou estar louca por estar mandando uma carta em um envelope sem remetente, mas a verdade é que Julian não estava longe, ele nunca estava para ela mandar. Então pra quê saber de seu endereço? Ele iria ler e ela sabia disso. Colocou-a lá.
  Seu trem chegou. Ela partiu.

Chapter 8 - When There Was Me And You

“Vou alertar antes. Tenho confusões dentro de mim. A minha carência elevada assusta. E os meus medos exagerados irritam. Então, não se sinta covarde. Se quiser ir embora agora, vá. Enquanto há tempo.” — Allax Garcia.

13h00min.
O pai de Julian se chamava José, sendo atendido entre amigos apenas por Zé. Quando chegou à casa dos Shaffer aparentemente percebeu-se que ele tentou mostrar-se apresentável a todos, porém ainda um pouco desajeitado, a gravata fora do lugar - detalhe que só Carlos percebeu -, uma pequena mancha de Café na gola da camisa (Vivian viu) E as roupas não eram de marca alguma (Michelle) Para Julian... Ele podia não ser exatamente como o sonhava, mas passou a ser agora.
 — Sente-se, por favor, senhor José, e permita-me pedir que almoce conosco.
 — Oh, sim! Obrigado, senhora...
 — Vivian, é um prazer.
 — Sim, Vivian! — Ele não parava de olhar para Julian, nem Julian a ele.
 — Olhe, eu queria deixá-lo logo informado que Julian dá muito... Amor a essa casa. E que ele foi criado aqui não como um órfão, mas como um filho.
 José comia rapidamente e sem controle. Parecia que tinha saído da cadeia.
 — Ah, sim! É muito bom saber disso, eu sempre quis muito conhecer meu filho. Fico inconformado por não ter tido convivido nas melhores épocas. Porém... O destino foi quem escolheu assim. Eu não tinha condições de dar uma vida a mim mesmo, quanto mais a um filho. Então preferi me estabelecer até poder procurá-lo, rezando para que ainda estivesse vivo.
 — Fico feliz em saber disso. E Julian sabe que se precisar de qualquer coisa, nós estaremos aqui e nunca o esqueceremos. Dependendo de sua decisão, ele estará bem onde achar que deve estar.
 — Ele só estará bem aqui. — Michelle impõe-se.
 — Michelle!
 — Desculpe. Continue, senhor José. — Ela deu um sorriso não muito simpático a ele.
 — Bem, eu nunca o tiraria de um lugar que já se acostumou e se enquadrou. Moramos longe, mas ele poderá vir aqui todo fim de semana, ou até mesmo quando quiser. Só não tenho certeza que estaremos sempre amigos das despesas se ele quiser vir constantemen...
 — Oh! Nós cobrimos o necessário. — Michelle mais uma vez.
 — Querida, chega.
  Ela se calou.
 — Não imagina o quanto ficamos felizes em ouvir essa notícia.
 — Ora, que isso, Vivian, eu só preciso de um tempo para conhecer meu filho, mas claro que nunca faria isso com ele. Sei que deve ser estranho no começo, mas tenho certeza que as coisas irão se ajeitar.
 — E então Julian, você está de acordo, deste modo? — Vivian indagou.
  Ele balançou a cabeça, dizendo sim.
 — Devemos então falar com algum advogado seu, para alguma autorização de que irá está de acordo com a vinda de Julian aqui por dias alternados?
 — Ah, não! Não vamos envolver isso... O que é, senhora Vivian, não gostou de mim? Achei que nos demos tão bem e eu passei minha confiança. Vejam bem... Como disse, ainda estou estabelecendo minha vida, não tenho dinheiro para essas bobagens.
  Vivian hesitou e ele a olhou mais uma vez.
 — É certo. Bobagem.
  Julian se despediu de todos, mas o abraço mais forte foi em Michelle.
  Deixando-lhe um papel em sua mão discretamente.
  Quando saíram, ela o abriu:
"Nunca se esqueça, que sempre a amarei, pequena curiosa. Julian."
  Ela apertou forte o bilhete em seu peito, prendendo uma lágrima.
  Um mês se passou.
  Julian não voltou.

Chapter 7 - When There Was Me And You

“Dói saber que você já não se encaixa em meu mundo.” — Geovane Pereira.

 O resto do dia, não teve metade da animação que qualquer outro momento desde a chegada de Julian até segundos antes do comunicado da Sra. Fible. Carlos voltou ao trabalho inconformado por não poder fazer companhia a Vivian, ela ficou feliz ao ouvir isso do marido. Lucas passou à tarde, sem muita novidade, em frente à TV. E Julian foi ao orfanato ver as crianças, Michelle ligou para Audrey, pedindo que a levasse dali para qualquer lugar e a animasse um pouco. A casa estava mais uma vez silenciosa.
Michelle chegou um pouco tarde em casa, subiu ao quarto, passando pelo do irmão, olhou de relance, Julian estava sentado à cama, com a cabeça baixa e as mãos no rosto, pensativo. Ela procurou não incomodá-lo, passando direto. Abriu a porta, e havia mais uma carta no chão, ela agachou e abriu:
Não sei o que acontecerá amanhã. Não sei. Não tenho idéia de quem ele seja, talvez uma boa pessoa, talvez não, poderá querer apenas me ver e depois ir, ou pedir para eu ir com ele. Mas sei Michelle, mas de uma sempre terei certeza, que aconteça o que acontecer, meu amor não morre.
“Agora onde estás? Com teus doces cantos e encantos.
Canta a mim, pois aguardo o sussurro de tuas palavras, cantadeira:
Em nosso recanto. Agora onde estás? Naquele canto. Sorrisos embaçam meu rosto ao te ver.
Do que são minhas palavras, do que valem, quando não tenho você a me inspirar em dizer um pouco mais?
“Canta a mim, cantadeira.”
Não sei daquilo. Tenho certeza disto. E gostaria de saber apenas:
Quando sua faísca virou fogo? E quando seu calor virou desejo?
Eu te amo. Mas isso não é um adeus.
Julian.

Ela fechou a carta, enxugando uma lágrima despercebida depois de ter molhado seu rosto. Sentou a mesa, e começou a escrever:
Não sei o que fiz para merecer tanto, deste jeito... Você só permitirá que eu te agarre o braço e não deixe você partir, acontecendo o que acontecer. Não vou dizer que quero que você vá, pois não quero. Mas não posso dizer isso, conheça-o, eu te peço, pois foi o que você sempre sonhou. Mas prometa voltar, prometa não me deixar. Pois se tu és meu ar, irá haver pouco para eu respirar. E se queres me deixar com mais receio em resposta as tuas doces palavras, darei ao troco.
“Dois corpos ardem em chamas ao sentir tão próxima presença.
Hesitam subitamente, pois não podem saciar este desejo. Não se permite, na verdade, nutrir este sentimento em conjunto, apesar de se amarem.
Amar sem razão, sem pensar que há fim... E não há! Estarão sempre juntos, mas não perto um do outro. “Não sabem por que, mas o fazem, pois se amam o suficiente para não permitir que o sentimento se afogue.”
Eu te amo.
Michelle, your belle.

Ela então deixou lá, voltando ao quarto. Deitada a cama, olhando para embaixo da porta, se perguntando se havia mais, até quase pregar no sono encostada a parede ouviu o código, ele lhe dizia “Boa noite, pequena” Ela então sorriu, já adormecida.

Chapter 6 - When There Was Me And You

Cansei de tudo que é mudo dentro de mim. (…)
  Estava próximo do horário de almoço, Julian e Michelle prepararam antes que seus pais chegassem com Lucas. Para os dois, nada poderia se tornar entediante contanto que estivessem juntos. Julian se divertia com a distração de Michelle, e Michelle ria com a expressão de censura que ele fazia a ela. Sempre fora assim, ele tentava mostrar ser sério e ela sempre brincando com qualquer resquício.
  Quando Vivian, Carlos e Lucas chegaram, a mesa já estava posta. Vivian ficou surpresa e simultaneamente satisfeita com tamanha dedicação de Michelle, nunca a viu tão disposta a fazer tamanho serviço, e feliz. Carlos e Lucas pareceram nem perceber quem fez ou quem não fez, preocupavam-se apenas com a comida em frente e que deveriam degustá-la o mais rápido possível.
  Enquanto comiam e conversavam, a companhia tocou.
- Ah! Deixem que eu atendo. – Vivian indagou.
Ao abrir a porta, franziu a sobrancelha com um olhar curioso ao avistar a... Como é mesmo o nome?
- Bom dia! Mas que surpresa, a senhora por aqui. Aconteceu alguma coisa?
Meu Deus... O nome.
- Bom dia, Sra. Vivian. Desculpe interrompe-la em um horário impróprio. Mas sim, é importante, podemos nos falar aqui fora, a sós?
Lembrei!
- Não prefere entrar, Sra. Fible? Podemos ir à sala, todos almoçam.
- Não, aqui fora está ótimo, por favor.
Vivian sentiu seu coração palpitar mais rápido, sem um por quê. Estranho, pensou. Fechou a porta, e sem pressa logo perguntou:
- O que houve?
- É o pai de Julian.
- O pai de Julian? Não havia ido embora? Deixado a mulher?
- Sim, mas... Ele voltou arrependido.
- E precisou de dezessete anos para se arrepender?
- Bem, eu não sei Vivian. Mas é o pai dele, e clama por seu direito de pai.
- Pai entre aspas. Pois pelo que eu sei, a única família que Julian teve, foram duas: Com a senhora e as crianças do orfanato, e aqui onde está bem.
- Eu sei. Mas é o pai dele.
- Você está certa... Meu Deus. Mas estava tudo tão bem. – Vivian baixara os olhos, triste. Julian era o que essa casa precisava e tão pouco chega já vai embora. Ah! O que dirá a todos? O que dirá a Michelle?! Michelle...
- Ele disse que virá buscar Julian amanhã mesmo.
- Ele não é o pai dele! Nós o criamos, do que vale sangue onde há coração?
- Eu sinto muito, Vivian. Todos nós sentimos, as crianças do orfanato estão péssimas também.
- Você o pesquisou? É um bom homem? Como irá criá-lo?
- Olhe... Nós podemos lutar pra que ele continue conosco. Conheço bons advogados que nos dariam até um desconto. Mas... Julian teria que concordar.
- Julian tem um coração tão bom, que esquece ou até não sabe que é o único com este tamanho. Ele não vai permitir que nós o obriguemos a não conhecer o próprio pai. Ele é louco para conhecer quem quer que seja da verdadeira família.
- Então, vai ver que o que precisam é de uma boa conversa. Bem, eu não vou mais tomar o seu tempo, e mais uma vez desculpe por chegar à má hora. Mas pensei que o melhor seria vir o mais rápido possível.
- Estava certa Fible, obrigada. Avisarei a todos agora mesmo, que estão aqui.
- Boa tarde, e rezaremos juntas para que dos males ao pior, ele esteja em boas mãos. E sim, quase ia me esquecendo! Qual o horário melhor para que ele chegue?
- Este mesmo, pois assim todos estarão.
- Certo.
Vivian sorriu, despediu-se, fechou a porta e logo voltou à mesa.
- Mãe! Já terminamos e você de papo. – Reclamara Lucas.
- Tudo bem – Ela sorriu sem graça - Perdi o apetite, querido.
Todos a olharam, esperando dizer alguma coisa.
- Precisamos ter aquela conversa entre família, que não temos a um bom tempo.
Continuaram todos na mesma posição, fitando o olhar.
- Quem esteve aqui foi a Sra. Fible. O... Pai de Julian pretende vê-lo.
No mesmo instante todos olharam para ele, e ele confuso, arregalou os olhos, pegando uma caderneta de seu bolso com um papel, escrevendo nervoso em grandes e um pouco tortas letras: “O QUE?” Olhando para quem estava ao seu lado, Michelle.
- Julian... O seu pai. – Falara sem olhar em seus olhos, pois estava triste, mas tentava aparentar não estar, então sorriu sem graça.
Vivian continuou.
- Ele disse estar arrependido, Julian, e agora preparado para conhecer seu filho. Virá aqui amanhã para buscá-lo.
Julian mais uma vez, escreveu no mesmo papel embaixo e Michelle leu em voz alta: “Vocês querem que eu vá?”
Veio então o coro “Não!”
- De maneira alguma, querido. Todos nós, eu creio, não sabemos se ficamos felizes ou tristes, sentimento estranho e engraçado, não? Mas, é o que você sempre quis. Então o que decidir, entenderemos. Queremos que você esteja bem.
Ele escreveu de volta e Michelle, mas foi sua voz: “Vocês são a minha família. Eu queria conhecê-lo... Mas era quando eu não contava com ninguém. E vocês me acolheram, então já não me sinto mais incompleto.” Ele saiu indo ao seu quarto.
Michelle quis ir atrás, mas Vivian pegou em seu braço - Deixe, ele precisa ficar só um pouco.
Silêncio.
- Mãe, eu não quero que ele vá. – Lucas o quebrou.
- Eu sei, querido.

Chapter 5 - When There Was Me And You

“O que você tem na mente? O que eu sou para você? Se não falar, eu nunca vou saber. Você é uma incógnita. E sabe disso.” — Allax Garcia.

   Ao amanhecer, estavam todos na mesa para o café da manhã. Michelle avisara que não estava se sentindo muito bem para ir à escola hoje, ninguém perguntou nada. Seus pais terminaram, e logo foram trabalhar e o ônibus escolar apanhou Lucas. Michelle ainda enrolava para comer mais, enquanto Julian lavava os pratos. Ele terminou se dirigindo a mesa, sentou ao seu lado apanhou um guardanapo e escreveu: “Tenho uma surpresa pra você. Quando terminar, vá ao seu quarto.”  Ela sorriu, e assentiu olhando-o subir as escadas enquanto guardava o guardanapo em seu bolso.
  Alguns minutos depois, abriu a porta e ele estava com seu violão sentado a cama, apontando para um papel a sua frente, ela sentou e o leu, havia o seguinte:
Espero que não se importe por eu ter pegado seu violão (Aprendi contigo, pequena curiosa, haha), mas o vi no canto e não resisti em tocar para você. Cante por favor, e sem dizer que há vergonha, pois adoro a sua voz. “Com teus doces cantos e encantos. Canta a mim, pois aguardo o sussurro de tuas palavras, cantadeira.”
  Quando ele começou a tocar as primeiras notas, ela deu um daqueles sorrisos empolgantes que ele adorava respondendo-a com outro satisfatório de volta. E ela deitou na cama, com a carta na mão sem olhar para a letra, já a sabia de cor. No começo, cantava baixinho, mas logo perdia a vergonha, dando uma certa entonação: “I love you, I Love you, I Love you! That’s all want to say.”  Olhava para ele acima, e sorria. E quando ela já estava no último verso “And I Will say the only words I know that you’ll undest...”  Ele parou de tocar, colocou o violão cuidadosamente ao lado. Ela o olhou curiosa, franzindo a sobrancelha, ele tocou seu rosto e se abaixou para seus lábios encontrarem os dela, ela se virou um pouco (não que beijá-lo pela primeira vez e ainda de cabeça para baixo tenha sido boníssimo, mas estava ficando um pouco desconfortável) para permitir que seus lábios entreabrissem aos dele e surgissem movimentos delicados de suas línguas.
  Ele a beijou com força, puxando-a para si. Acariciou-lhe os seios, seguindo os movimentos simultâneos dos seus lábios urgentes contra os dela, alternando entre sutis mordiscadas sobre a região de seu lábio inferior e logo prosseguindo a massagear sua língua. Ela apertou-o com mais força, sentindo uma excitação crescente, quase que insuportável. Julian descia suas mãos até a barra de sua camisa, levantando-a devagar e parando entre os beijos para observá-la, sem ao menos acreditar. Ela ficara envergonhada, baixava a cabeça se cobrindo com um sorriso sem graça. Ele, com o dedo indicador, levantou o queixo dela para olhá-lo, e não precisou de mais nada, ela sabia que estava tudo bem e não havia motivos para nervosismo agora. Logo, voltaram a se beijar, em um ato, para ambos, urgente, e ele deitou sobre ela, puro e cuidadosamente, como se estivesse tocando em uma delicada rosa. Ao fazer amor, Michelle sentiu a coisa mais excitante que jamais experimentara: uma explosão primitiva e selvagem que os sacudiu a ambos. Após, ela ficou por um bom tempo nos braços dele, apertando-o contra si e sentindo uma felicidade que nunca julgara possível.
  Eles ficaram então, por um breve momento, abraçados um ao outro, ela deitou a cabeça em seu ombro e ele acariciava seus cabelos com um sorriso satisfatório aos lábios, parecia para os dois que aquele momento era uma fotografia imaginável, não deveria acabar em qualquer circunstância. Foi Michelle que decidiu cortar o clima, quando do nada, pulou dali, virando-se pra ele, Julian tomara um susto, mas gostava quando ela ficava tão feliz do nada, por razão alguma. E então, disse “Sabe um lugar que eu sempre quis conhecer?” Ele balançou a cabeça, que não. “Barcelona... Acho tão lindo!” Ele sorriu, pegou em seu braço, a puxou para perto dela, encostou a cabeça perto da parede chamando-a, ela foi com um olhar confuso. E ele deu toques nela, uns mais largos outros mais curtos para lhe dizer “Te seqüestrarei qualquer dia para irmos até lá” Ela respondeu da mesma forma, dizendo “Promete?” “É uma promessa”. Eles se entreolharam, e quando viram, já estavam presos aos braços um do outro.

Chapter 4 - When There Was Me And You

“Aprende. Aprende. Aprende que dói menos.” — Tati Bernardi.

   A festa ocorria na casa de um dos amigos milionários de Michelle. Quando chegaram, Julian observava atordoado todas aquelas garotas seminuas, virando barris de cerveja, no canto da parede, casais esperando a hora de um sexo explícito. E no fundo, um garoto com uma lata de coca-cola na face, ele não entendeu o pra quê. Quando foi tirada sua atenção, logo que Michelle gritou: “Audrey!”
  Audrey era sua melhor amiga, e já havia contado sobre Julian.
 — Hmm! Então esse é o misterioso Julian? Prazer em conhecê-lo, querido. Quer uma cerveja?
  Julian balançou a cabeça que não sorrindo sem jeito.
 — Certo. — E logo olhou para Michelle. — Bonito, hein?
 — AMIGA!
 — Ok, ok.
  Enquanto conversavam, Julian fez um gesto com as mãos para Michelle perguntando-lhe se ela ou a amiga queriam que ele pegasse algo.
 — Ah! Eu quero sim, uma cerveja, obrigada Julian. Quer alguma coisa Audrey?
 — Não, não.
  Ele assentiu, e logo foi. Quando voltou, elas já não estavam lá. Julian franziu a sobrancelha, deixando a cerveja na mesa ao lado, e olhando para todos os arredores. E lá estava Audrey, conversando com algum outro garoto. Ele se dirigiu a ela, com um olhar preocupado.
 — Ah, Julian! Ela foi procurá-lo.
  O garoto a quem acompanhava Audrey, perguntou curioso:
 — Quem?
 — Michelle.
 — Ah! Eu a vi indo a algum lugar com Anderson.
  Audrey no mesmo momento arregalou os olhos. Julian percebeu sua expressão, e fez um gesto com as mãos perguntando-lhe quem é.
 — Não o entendo, querido.
  Ele pegou uma caneta do bolso, e escreveu na toalha da mesa ao lado: “QUEM É?”    — O... Ex dela. Acho melhor irmos procurá-la, Michelle deveria parar de acreditar tanto nas pessoas. Ele no mínimo deve tê-la feito acreditar que ele apenas queria pedir desculpas por tudo e que fossem...
  Antes de terminar a frase, Julian já estava com um andar apressado à frente.
 — ... Amigos?
  E logo ela, e o amigo que conversavam foram atrás.
  Julian corria estonteado com o som da música misturado às luzes em seus olhos, até que viu de relance uma mão atravessando até atrás da parede, ele percebeu que era ela pela pulseira que usava. Simultaneamente, a imagem da cena veio a sua cabeça, Michelle sorria pedindo que ele escolhesse qual das duas usaria.
  Correu até lá, e ela estava com as mãos presas a quem ele supôs ser o Anderson a dele, juntos demais ele falava alguma coisa em seu ouvido... Ela enojava tentando se sair.
  E quando Julian percebeu que voltou aos seus sentidos; o homem já estava no chão. Michelle correu para abraçá-lo pedindo que a levasse embora dali.
  Chega a casa, e cada um infelizmente deve ir para seu quarto. Tenta-se não fazer muito barulho, Michelle já havia parado de chorar, os braços de Julian haviam reconfortado-lhe. Antes de deixá-la ao quarto, lhe deu um beijo na testa e com os gestos de suas mãos, disse-lhe que tudo iria ficar bem. Ela sorriu, mas com um olhar triste e entrou.
  Os dois estavam deitados na cama, olhando para a parede, a única coisa que o separavam... Estavam tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Ele fez alguns toques, longos, curtos, e perguntou: “Está melhor?” “Sim, obrigada por tudo.” “Dorme bem, pequena. “Você também“ Eles dois então beijaram a parede simultaneamente, não sendo proposital.

Chapter 3 - When There Was Me And You

“E se o amor bater na porta, diga-o que saí.” — Cazuza.

  23h03min. Michelle pensou “Ele não vêm”. E os próximos dois minutos pareceram-lhe 2 horas. Ele bateu a porta devagar. Ela abriu, e o puxou para dentro silenciosamente, olhando para os lados. O olhou, e dirigiram-se a cama, para sentarem, ela acariciou seu rosto, estudando-o e ele sorriu. Pegou outro papel em branco na cabeceira ao lado e escreveu: (Sempre lhe parecendo que eles estão à longa distância para isso.)
  “Você tem um sorriso lindo, Julian. Perdoe-me, mas prefiro e creio que o melhor é que mamãe ainda pense que não nos damos bem; se ela descobrir que estamos no falando muito ou que você vem ao meu quarto tão tarde, irá pensar bobagem, e meu pai não permitirá que fique.”
  “Eu entendo, você sempre gosta de ter esse gostinho de estar fazendo algo errado, não? Torna o momento melhor para você, mesmo que não estejamos fazendo nada de errado. Comunicamo-nos por cartas como se morássemos longe, ou até mesmo fingir que não nos conhecemos.”
  “Pare de me decifrar. Além de sempre acertar, me mata de vergonha.”
  “Suas bochechas ficam rosadas aos poucos, você abaixa a cabeça para disfarçar, mas não tem como não perceber, pequena curiosa.”
  “Eu tenho uma idéia. Faz tempo que não brinco de forca... Desde a 7ª série. Seria divertido.”
  Enquanto eles faziam esse “bate papo”, passando o papel um para o outro, ela escrevia e ele não conseguia parar de olhá-la ou ela, vice-versa.
  Michelle pegou outro papel, desenhou um boneco de palito mal feito e borrado com uma borracha, escrevendo cinco traços tortos.
  Eles riam e brincava a noite inteira, ela ficara com muita raiva por nunca conseguir ganhar. Era incrível.
  Ele escrevia: “Vai precisar treinar mais um pouco, pequena.”
  Nessa brincadeirinha, Michelle ficou horrorizada, pois já eram uma hora da manhã e ela devia ir para a escola no outro dia, aliás, mais tarde. Avisou isso a Julian, e ele assentiu com a cabeça, deu-lhe um beijo na testa e saiu do quarto devagar e cuidadoso com o barulho.
  Na escola, Michelle estava mais sonolenta, passou a maioria das aulas dormindo ou escrevendo algo que ela não deixava ninguém ver. Ela estava mais pensativa também, distraída. Teriam que chamá-la três vezes, ou na 4ª, gritando para ela perceber seu nome sendo chamado. Terminada a aula, todos foram embora apressadamente, menos Michelle, que continuava em sua banca, a professora perguntou-lhe se ela não iria acompanhá-los, apontando aos alunos, ela cobriu o caderno e disse que logo mais.    Estava estudando o Código Morse, anotando toda a relação do alfabeto e ao lado, como cada letra representava.
  Ao chegar a casa, sua mãe ouviu atentamente o barulho da porta. “Querida? Chegou?” “Sim.” “Julian foi visitar as crianças do orfanato que morava. Já deve chegar para o jantar, vamos esperá-lo.” “Ah, tanto faz. Vou até meu quarto.”
  Subiu até seu quarto, passando pelo de Julian, seu irmão também não estava lá, tivera o visto na sala vendo qualquer desenho animado bobo que ele adora. Deixou o papel com todas as informações, pegou outro qualquer e escreveu:
“Encontrei mais uma forma para nos comunicar. Devo achar que já a conhece, de qualquer forma escrevi para você. Tentarei estudar os gestos futuramente. Procuro cada vez mais uma melhor forma de conversar com você Julian, é sempre reconfortante. Obrigada. De: sua pequena curiosa. xx”

  Enquanto isso, no andar de baixo, Vivian preparava o jantar, e seu marido, pai de Michelle e Lucas, chegara mais cedo do trabalho. Carlos era um homem sério, quando preciso, pois é um pouco barrigudo, devido sua amada cerveja com os amigos numa tarde de domingo, assistindo a um bom jogo de futebol.
  Voltara-se a Vivian querendo lhe falar:
 — Vivian, ouviu umas risadas à noite? Não sabia se ainda estava acordada, não quis incomodá-la então esperei por perguntar-lhe hoje.
 — Sim, também pensei o mesmo. Mas achei estranho... Era a risada de Michelle.
 — Estava com o garoto que você trouxe, não foi? Falei-te que isso não ia dar certo!
 — Não querido, é lógico que não. Michelle nem ao menos se deu bem com Julian, apesar de ser um ótimo garoto, você sabe muito bem disso e achava que tinha me entendido, me conhece e não me arrependo em momento algum de ter-lhe chamado para morar conosco. Ela deveria está no telefone, não canso de reclamar isso. Quando vir a conta...
 — É. Sobra pra mim, converse com ela.
 — Certo.
 — Eu vou tomar meu banho, o jantar vai demorar?
 — Não, não. Julian já deve chegar do orfanato, e iremos jantar logo mais.
 — Esse menino aqui... São mais despesas nas minhas costas. É cada invenção.
  Ele saiu resmungando, indo em direção ao banheiro...
 — CADÊ MINHA TOALHA?
 — PROCURE!

  Vivian baixou a cabeça, respirou e suspirou forte com as mãos no rosto, impaciente. Até que Lucas virou o rosto pra trás, tirando a atenção de seu programa e olhou pra ela:
 — Mãe, que cheiro é esse?
Era o arroz, que esquecera no fogo, correu até o fogão, apagou, mas não restava mais nada.
  Agachou-se no chão da cozinha, com a cabeça em seu colo, segurando as lágrimas. Não era besteira por se sentir assim neste momento, não, seu marido não a tratava tão bem como antes há tempos. Mas não poderia o deixar... O que seriam das crianças? Teria que ser forte e manter a imagem de uma notável “família feliz”. Tão preocupada com o mundo, era Vivian, com as pessoas, em confiar-lhes, em tentar agradar... Até que mal lhe sobrava tempo para pensar em si mesma. Enxugou o rosto e se levantou, um pouco atordoada olhou para a sala, Lucas estava assistindo a TV, Carlos não tinha saído do banheiro ainda... Deve está pensando em alguma de suas putas já que seu corpo de meia-idade não o agrada mais.
  Terminou o Jantar, e deixou a mesa posta. Foi ao quarto, tomou um banho, mergulhando a cabeça em água fria, precisava. Ao terminar, se dirigiu ao quarto do lado, de Michelle, bateu duas vezes.
 — Filha? Posso entrar?
 — Sim, mãe.
  Vivian entrou, e fechou a porta rapidamente. Michelle aparentava precisar de um pouco de ajuda quanto ao vestido para atacá-lo atrás. Olhou para a mãe, e sorriu: - Uma ajudinha?
 — Claro. Mas querida, precisamos conversar um pouco.
  Falara Vivian enquanto atacava cada botão, Michelle estava distraída, pois ao mesmo tempo olhava para seu cabelo no espelho... O ajeitando. “Está ruim, acho que preciso cortá-lo, dar outra aparência.”
 — Michelle, me escute!
  Vivian já chegara ao quarto com um discurso pronto, séria, mas logo que olhou para a filha e viu o quanto não a via tão feliz, preocupada até com sua aparência, sorriu.
 — Pra onde você vai?
 — A uma festa.
 — Por que não leva Julian consigo? É uma boa chance para se reaproximarem. — Ela piscou o olho para a filha e ela logo entendeu.
 — Mãe... Foram as minhas risadas ontem à noite, não?
 — Disse a seu pai que estava no telefone.
 — Você é fantástica! Mas... E se o pessoal tiver preconceito? Sabe como são aquelas pessoas.
 — Seus verdadeiros amigos a entenderão. Você diz que não, mas tem um coração bom, tão grande quanto o meu.
  Michelle sorriu, e logo se viram abraçadas.
 — Obrigada.
  Quando Vivian se foi, ela correu para a parede: - Vista s...ua melh...or roupa. Temos uma fes...ta.
 — Perguntou-me se minha agenda estava livre?
 — Sem graci...nhas. Não sei fazer ISS..o.
 — Já estarei pronto.

Chapter 2 - When There Was Me And You

“Aprendi que amar é ficar, mesmo tendo milhares de motivos para partir.” — Chandy Melo.

   Um tanto bom quanto belo garoto, com meros dezessete anos, branco da cor semelhante à neve, os olhos azuis refletiam mais brilhantes com qualquer luz que lhe dava algum contraste, cabelos castanhos escuros e um nariz perfeitamente criado que chegava a chamar atenção. Ah, mas... Nunca saiu uma palavra do conjunto de seus dois lábios.
  Michelle sempre fora considerada desde o primário, aquela garota mais bela de sua classe, plausível a quem quer que a reconheça. Acostumada por fim, com todos os homens aos seus pés, porém nunca se deixando apaixonar. Primeiro sinal de fraqueza de uma mulher, ela dizia. Pois sabia que nenhum deles iria lhe retomar algum benefício, mas que evidente nunca iria deixar de viver ou ter alguém por essa razão. Admitia gostar de ter sempre alguém fazendo tudo que ela pede ou deseja.
  De qualquer forma, a “fila” de Michelle nunca parou de andar.
  Cabelos longos e morenos, uma boca carnuda abaixo de olhos claros, em que nem mesmo ela sabia ao certo sua cor. Era verde, mas o contorno surpreendia ao se transformar em um azul celeste, magra, alta e esbelta. Desejável.
  Julian ficou de dormir no quarto do irmão mais novo de Michelle, Lucas.
  Lucas o adorou, afinal... Não era de falar muito e “encher o saco”, bastava-lhe sua irmã.
  Julian sempre estava em sua cama, escrevendo ou ouvindo músicas, lendo bons livros. Um dia, Michelle passou no quarto olhando de relance e viu que ele lia Nietzsche. Ficou impressionada, por ainda existir homens inteligentes com uma mente tão aberta. Sempre educado, impressionava sempre a todos por não dar trabalho algum, mesmo não tendo recebido educação alguma, além do orfanato.
  Michelle nunca estava em casa, Julian a via da janela do quarto após avisar a mãe que iria para casa de sua amiga, e entrava em um carro com um homem mais velho.
  Em um dia qualquer, céu nublado, iria chover talvez. Vivian pediu para que Michelle subisse ao quarto, e avisasse a Julian que o jantar estava pronto. Ela entrou, ele olhou para ela e ela fez um gesto terrível com as mãos em direção a boca. Ele entendeu, rindo, pensando que ela deveria achar que ele é retardado. Ela ficou lá, sem entender, e andou franzindo as sobrancelhas, quando deixou um dos papeis dele cair. Ela se agachou para colocá-los no lugar, mas a sua curiosidade não a deixou em paz. Ela ficou tentada a ler. Havia o seguinte:

“Fiquei sobranceiro a expor minha íntegra ventura, a quem eu mesmo não criava fantasias para chegar próximo de tamanho valor. Querido e admirável anjo a quem me resguardas, acordei e não o senti ao meu lado, onde fostes? Pois já se sucederam segundos, minutos e, por fim, passaram as intermináveis horas. Novamente me deixará só? Inconsciente, tomei um mergulho de minhas lágrimas. Não há luz, pois a que me era parte integral, se foi.” 

  Michelle nunca havia lido algo tão bonito e ao mesmo tempo... Triste. Estava quase derramando uma lágrima emocionada; quando sua mãe gritou: “Michelle! Você não vai descer?” Ela levou um susto, e correu para descer as escadas, deixando o papel cair.
  No dia seguinte, quando voltou da escola. Viu um possível bilhete em sua cabeceira. Era o poema de Julian, e havia escrito mais:

"Não haverá problema algum em ficar com este, se realmente gostou, pequena curiosa. Nunca deixei ninguém os ler, foi um descuido meu, só peço que não espalhe ou use para outros fins. Guarde-o, agora é de responsabilidade sua conservá-lo. Este outro fiz após ter estudado-a, espero não ter sido rude em tomar tamanha liberdade.
“Devo parar de acreditar nas pessoas. Devo? Dizem que a culpa está em minha “bondade”; Mas adianta ser bom diante do mundo em que nos apresentam? Lêem-nos como bobinhos.”
Só espero que algum dia dê-me a chance de merecer sua confiança. E assim, farei o possível para não decepcionar-lhe. "

  Michelle não dormiu aquela noite... Passou-a inteiro em claro lendo sem parar, cada palavra, para não correr o risco de esquecer cada seguimento, guardou-o em uma caixinha, trancando-a e escondendo-a atrás de suas roupas, dentro de seu guarda-roupa. Ela nunca havia encontrado alguém que teria entendido-lhe tanto em tão pouco tempo, sem nem ao menos terem trocado qualquer conversa; se ela merecia sua confiança, faria o possível para ele merecer o mesmo. Afinal, Julian sabia que poderia confiar nela, mesmo informado – sem querer – do que ela dizia, em relação a “estranhos” em sua casa.
  À tarde, ela saiu de seu quarto, e devagar se dirigiu ao do irmão, a porta estava aberta e ela tentou passar despercebida, mas ao mesmo tempo olhando para os lados; não havia ninguém, e então escutou a música da abertura do Balão mágico “Lindo Balão Azul” (Ah, Lucas) E um barulho na cozinha. Era Julian.
  Ela entrou devagar, apesar de não fazer muita diferença, deixando em cima da cama, onde Julian dormia, o seguinte bilhete:
  “Não posso deixar de informar que me encontrei decepcionada por você não mostrar aos outros este trabalho lindíssimo. Poderia te deixar famoso, se permitisse. Hahaha. Mas não há preocupação, estará aqui guardado como se tivesse trancado no meu próprio coração.”

  Michelle voltou ao seu quarto, vasculhou um de seus LP’s até escolher “Abbey Road”- The Beatles.
  Deitada na cama, os olhos fecharam-se e sem perceber, apagou por uns dez minutos, acordando assustada. Olhou para os lados e viu um papel debaixo de sua porta, ela correu para abrir, mas Julian já não estava lá.
“Sempre soube que você não era uma má pessoa, nunca errei em quem senti que poderia confiar, mas você, no momento que a vi, foi a índole mais forte que já me chamou a atenção antes. Você é uma garota especial, Michelle. Faz isso, com medo de decepcionar-se e sofrer, mas me impressiona já que és uma garota que gosta de correr tantos riscos.”
Ela devolveu por debaixo da porta dele, outro:
“Venha visitar-me aqui, às 23h03min. Quando todos estiverem dormindo, quero vê-lo. Até parece que trocamos cartas por morarmos tão longe”

Chapter 1 - When There Was Me And You

“Quando você é realmente importante para alguém, aquela pessoa sempre vai ter um tempo para você. Sem desculpas, sem mentiras e sem promessas quebradas.” — Tati Bernardi.

   São Paulo, 1997.
 — Mãe, o que há nessa caixinha? — Falara Bianca, seus olhos azuis brilhantes, encarando-a com um ar curioso. Tinha apenas 13 anos, tão doce, mas com uma curiosidade inquietante.
 — Vou contar-lhe uma história, querida.

  Barcelona, 1984.
 — Michelle... Ah, Michelle! Quando será um pouco compreensiva com todos nós?
 — Poupe-me com todo esse drama, mãe.
 — Eu estou lhe pedindo. São só alguns dias! O que eu mais poderia ter feito?
  Michelle cruzou os braços, inconformada. A mãe suspirou revirando os olhos, já sem argumento algum.
 — Tiro seu castigo.
 — Fechado.

  Michelle e sua mãe, Vivian, não se davam muito bem, eram bastante diferentes. A visão do caráter humano de cada era um tanto desigual.
  Vivian trabalhava em uma casa de reabilitação para pessoas especiais. Michelle não admitia que sua mãe pudesse ser extremamente bondosa com todos, não que isso seja ruim, mas a tornava besta para certas coisas. Por dar confiança demais em quem quer que seja. Michelle cria que a qualquer momento, se um mendigo lhe pedisse alguma moeda, ela o levaria para jantar em casa.
  E então, esse dia que tanto temia chegou: Sua mãe trouxe alguém consigo.
Eis a seguinte explicação por decidir trazê-lo:
  Vivian precisava levar algumas roupas para concerto. Estava um pouco irritada por uma briga besta que tivera com Michelle mais cedo, então entrou na primeira casa avistada; havia um garoto como atendente fazendo algumas anotações, perguntou-lhe:
 — Por favor, gostaria de saber quanto fica este montante.
  Ele continuou com a cabeça abaixada, fazendo suas devidas anotações. Ele a fitou por um momento, curioso sem entender se estava realmente falando com ele.
 — Sim, sim! Você mesmo. O que é?! Não pode falar?! — Ela empurrou seu braço.
  Ele então a olhou, com um ar desentendido, fez um sinal de “espere” com as mãos e saiu. Ela já irritada, resmungou:
 — Mal educado! Não poderia me responder?
  Então, ela percebeu que todos a olhavam de olhos arregalados, censurando-a.
Voltou uma mulher mais velha, com um olhar sério:
 — Algum problema, senhora?
 — Vocês têm um atendente muito mal educado. Nem ao menos quis me responder.
 — A senhora sabe onde está, não? Esta é uma casa onde as crianças do orfanato Lírio do Vale nos ajudam. Julian é mudo, ele nunca poderá responder-lhe por mais que quisesse ajudar.
  Vivian ficou pasma, sem saber o que dizer... Como poderia ter sido tão rude com uma criança? Nunca tinha passado por tamanho constrangimento. Pediu desculpas, acarretou suas coisas e saiu, sem qualquer reação.
  Não dormiu aquela noite pensando no garoto, esperou amanhecer e voltou ao local perguntando pela senhora mais velha com o olhar sério. Ela compareceu.
 — Voltou? O que quer?
 — Você é a responsável pelas crianças?
 — Certamente. Por que a pergunta?
 — Eu gostaria de adotar Julian. Sinto-me péssima pelo ocorrido, não conseguiria viver com esse peso na consciência. Preciso retribuir, e esse seria o mínimo que ele deve merecer.
 — Como devo saber que posso confiar em você? Julian é um garoto muito especial. Nos dois sentidos. Tanto por ser “diferente” quanto por ser muito inteligente e bondoso.
 — Eu moro aqui perto. Poderá visitá-lo e ver como está todos os dias. Ele poderá vir aqui, e continuar o trabalho se preferir. Apesar de não precisar, o que receber, claro, fica com ele.
 — Julian precisa mesmo de uma família, ele já tem dezessete anos e ninguém nunca o adotou... Quando nasceu procedente de uma mãe pobre e viciada em qualquer tipo de droga, lícita, ilícita, permitida ou proibida; o deixou para ignorar as despesas que teriam por ser especial. Entretanto o entregou ao mundo, foi passado de mão em mão; tanto sujas quanto limpas, até chegar aqui. Graças a Deus, não sei o que seria dele hoje se não tivessem o mandado. Consequentemente chegou um pouco mais velho, os pais preocupam-se em procurar apenas por crianças novíssimas. Quanto mais crescem, mais vão perdendo as esperanças, coitadas.
 — Oh, coitado... Mas então, dê-me esta chance! Por favor, Senhora... Fible, certo?
  Nome estranho, Vivian pensou. Tanto faz.
 — Sim, sim. Passe no orfanato as cinco desta tarde. Assinará alguns papeis, mas deixe para pegá-lo amanhã para poder se despedir das outras crianças. Oh, sentirão sua falta... Já estou até vendo, todas irão querer dormir com ele, no mesmo chão.
 — Eu espero que dê tudo certo, em relação à minha família, e principalmente a nós dois.
  E assim, Julian pôde finalmente dar um “Oi” ao seu novo lar.

Fic: All Or Nothing

"Mas teve um momento em que eu pensei que fosse dar certo. Que achei que fossemos o certo na vida um do outro. Mas não foi. Não fui. Não fomos. Não somos." — Quietude.

Era natal.
Aquelas árvores iluminadas por toda a cidade, todo mundo alegre e animado, esperando presentes e mais presentes de Papai Noel. Todo mundo parecia feliz. Todo mundo, menos eu.

Momento história trágica:Era natal quando tudo acabou. Eu e Nick namoravamos há dois anos e na véspera de natal... TCHARAM! Ele me vem com uma desculpa master esfarrapada e acaba tudo, deixando a Ava aqui chorando rios e rios de lágrimas por causa daquele idiota. E, um ano depois disso tudo, eu continuo pensando nele! 
Fim do momento história trágica.

Nick é realmente minha pedra no sapato. Uma bela pedra no sapato, é bom deixar claro. E uma pedra tão grande e chata que eu estou aqui, na frente da loja que ele trabalha, tentando criar coragem para entrar e vê-lo. Mas, o que eu, uma jornalista de artes, faria numa loja de instrumentos musicais? Eu não sei tocar nem campanhia! Mas, qual foi, Ava ? Você comprou o presente pro garoto, escreveu um cartão MEGA meloso e está aqui, na véspera de natal, um ano depois que ele te deu um pé na bunda, e não vai entrar pra falar com ele?
Ok, eu não sou tão idiota assim! É só contar até três e BUM: você entra.
1.
2.
3.
Pronto.
Comecei a encarar a loja. Baterias, guitarras, baixos, saxofones (eu já disse que amo saxofone? um dia, eu vou aprender a tocar!). Ora merda, cadê o Nick?
 — Nick, Nick, Nick... — Comecei a procura-lo por todos os cantos até que...
 — Posso ajudar? — Alguém tocou meus ombros e eu quase morro do coração.
 — CÉUS, VOCÊ QUASE ME MATA AGORA, GAROTO! - gritei
 — Desculpe, mas, eu sou novo aqui, não entendo muito disso tudo e... — Ele falou, meio nervoso.
 — Não precisa se desculpar! — Eu sorri. — O Nick tá aqui?
 — O Nickolai? Não, ele não veio trabalhar hoje... — Ele respondeu, vendo meu sorriso murchar na hora. — É muito importante? Por que, se for, eu posso dar o recado...
 — É, é realmente importante. — Dei de ombros. — Bem, obrigada!
 — Olha, se quiser, a namorada dele também trabalha aqui. — E apontou para o balcão.
  Espera ai: ele disse namorada?
 — Aquela dali é a namorada dele? — Eu encarei a loirona tatuada com cara de boêmia (para não dizer bêbada) atendendo alguém no balcão.
 — É, é a Stacy. — Ele explicou.
 — COMO É QUE ELE ME TROCOU POR AQUELA FREAK? — Quase gritei.
 — Bom saber que você tem algo contra Freaks... — Eu ouvi o garoto sussurrar.
  Foi aí que eu o olhei pela primeira vez. Ele tinha um cabelo freak, usava roupas freak, tinha um jeito freak. Mas, ele era diferente!
 — Desculpa, menino. — Sorri, timidamente.
 — Daniel. — Ele estendeu a mão.
 — Ei, Daniel. — Dei minha mão para ele apertar. — Ava.
 — Bem, Ava , eu não vou perguntar se você é, já foi ou quer ser namorada do Nick, ok? — Ele sorriu.
  Cara, ele tinha um sorriso tão bonito...
 — Só quero saber se você vai fazer algo hoje à noite...
 — Espera, você tá me chamando para sair? — Uau. — Sabe, eu posso ser uma psicopata, uma maniaca, louca, assassina em série... Como você sabe que eu não sou tudo isso?
 — Andando com quem eu ando, eu aprendi a reconhecer as pessoas loucas, acredite! — Ele sorriu. — Eu vou pegar minhas coisas, a gente podia dar uma volta, topa?
 — Mas, você não tem que trabalhar?
 — Meu horário acabou faz 15 minutos! Quando você entrou, eu ia me preparar para sair...
 — Então, por que você me atendeu? Vão te pagar hora extra?
 — Não, eu quis atender você por quê... — Eu vi que as bochechas dele coraram. — Por quê você é bonita...
  Nesse momento, não era só ele que estava corado, de verdade.
 — Eu vou lá, me espera aqu! — Ele tocou as minhas mãos, carinhosamente e saiu.

xx

 Me chame de louca, mas, eu estou andando pelas ruas de New Jersey com um garoto esquisito que acabei de conhecer e o máximo que sei sobre ele é o nome, idade e que ele tem uma banda chamada My Chemical Romance.
 — Isso que você tá carregando... São presentes? — Ele apontou para a sacola.
 — Ah, é... — Dei de ombros, lembrando dos presentes de Nick.
 — Eu quase esqueci que hoje é natal! — Daniel bateu na própria testa. — O que você vai fazer hoje?
 — Hum... Dormir! — Eu sorri e ele estranhou.
 — Que tipo de pessoa dorme no natal? Você não vai esperar Papai Noel? Não vai colocar meias na lareira? — Ele falou, surpreso.
 — Você parece uma criança falando assim! — Zombei. — E eu não vou esperar Papai Noel e nem vou colocar meias na lareira...
 — Qual a graça do natal se você não faz isso?
 — Natal é uma data comercial. — Eu expliquei e Daniel pareceu decepcionado. — Todo mundo sabe disso! Esse lance de árvore, presentes, isso tudo é besteira...
 — Pois eu pedi um presente para Papai Noel, tá bom? — Ele fez bico.
 — Ah é? E o que você pediu?
 — Não, só quem sabe é o velho Noel! — Daniel sorriu, fazendo um carinho na minha cabeça.

xx

"I wont ask for much this Christmas
I wont even wish oh I wont even wish.
I wont even wish for snow.
I’m just gonna keep on waiting underneath the mistletoe
I wont make a list and send it to the North Pole for St Nick
Wont even stay awake to hear the magic reindeer play
"

 — Adoro músicas de natal! — Daniel comemorou, cantarolando a música.
 — Tem alguma coisa no natal que você NÃO gosta? — Zombei.
 — Panetonne! Eu ODEIO Panetonne! — Ele sorriu. — Você gosta?
 — Não muito, mas sou acostumada! Todo mundo da minha familia adora...
  Eu e Daniel já tinhamos caminhado por todas as ruas da cidade, visto todos os Papais Noeis de lojas possiveis, vendo mães e pais sairem carregando pacotes e mais pacotes de brinquedos e já estava ficando tarde e todas as pessoas pareciam evaporar. Algumas ruas estavam desertas, lojas e mais lojas se fechando...
 — Cara, tá tarde! — Daniel olhou o relógio. — Minha familia já deve tá esperando...
  Nesse momento, qualquer sorriso que podia ter se formado no meu rosto, desapareceu. Ele realmente tinha que ir embora...
 — Mas, eu te deixo na sua casa! — Daniel pegou minha mão pela primeira vez.

xx

  O prédio que eu morava não era tão distante, chegamos rápido. Mas, eu não queria isso...
 — Bem, é aqui! — Parei na frente do apartamento.
 — Mais rápido que eu queria... — Ele sussurrou. Daniel abaixou a cabeça, meio timido, mas...
 — OLHA, VOCÊ TEM UMA BOTINHA DE DOCES! — E apontou para o enfeite preso na minha porta. — Papai Noel vai deixar seus presentes ai!
 — O velho Noel tem muitas crianças para lembrar, dúvido que ele lembre de uma marmanja de 22 anos!
 — Você que pensa assim...
  E ficamos em silêncio. Aquele silêncio chato, sabe? Que demonstra que as coisas estão acabando...
 — Bem, feliz natal, Ava. — Daniel aproximou-se de mim e, num impulso, encostei meus lábios nos dele.
  Daniel pareceu ficar impressionado no inicio, mas, ele percebeu que eu sabia muito bem o que estava fazendo e intensificamos o beijo. Eu fui me encostando na porta, sentindo Daniel cada vez mais perto. Quando um celular tocou... Era o dele!
 — Ok, eu já tô chegando... — Ele falou e desligou. — Eu tenho que ir...
  Abaixei a cabeça, timidamente, mas ele pegou meu queixo e levantou.
 — Te vejo amanhã? — Ele perguntou, aproximando e eu não pude deixar de sorrir. Desde Nick eu não havia sentido o coração acelerar, os estômago dar voltas, as pernas tremerem...
 — Claro... — Sorri. — Bom natal, Daniel!
 — Bom natal para você também, Ava! E que Papai Noel te traga um bom presente!
  Vi Daniel sair corredor a fora, sorrindo. Acho que o velho Noel já me deu um bom presente esse ano...

xx

 - no outro dia

  Acordei cedo no outro dia. Apesar de passar a noite de natal comendo pipoca e vendo series antigas na tv, eu estava feliz. Muito mais que feliz. Enquanto estava na cozinha, vi que havia uma mensagem nova na caixa postal.
 — Papai Noel me disse que passou num prédio e deixou um presente numa bota para uma marmaja de 22 anos! É melhor você checar... — Era a voz de Daniel.
  Corri até a porta e vi que minha botinha estava cheia de doces e um cartão sem assinatura, apenas com algumas poucas palavras escritas...

" just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
Baby, all I want for Christmas is YOU
"

  Eu não precisei pensar mais de uma vez para descobrir que havia me mandando o cartão e os doces! Quem era?
  PAPAI NOEL, LÓGICO! Agora, se vocês me permitem, eu tenho um presente de Natal para "ser". Até a próxima e tchau!

FIM.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Fic: Winter Wonderland

"Não sou muito fã de palavras, prefiro algo mais concreto."

 — Que ridículo. — Falei bem alto, várias pessoas me olharam. Só que para elas aquilo é a coisa mais normal do mundo. O fato de estarem naquele lugar, quero dizer.
 — Não quer falar mais alto? — Olivia me repreendeu. — Acho que alguém na Austrália ainda não escutou.
 — Aaaaa. Qual é, Olivia? Eu não preciso dessas coisas. — Fiz menção de ir embora, mas Olivia era mais forte e me segurou.
  — Emma. Você não precisa agarrar o cara, vocês podem só conversar.
 — E quem disse que EU vou agarrar? É claro que se ele for lindo, gostoso e com um sorriso perfeito eu agarro. Mas e se ele for feio e/ou chato demais? Pior: e se ele tiver um hálito horrível de agüentar? — Estremeci ao pensar nisso.
 Olivia havia me levado ao parque de diversões da nossa cidade. Era uma porcaria, pra variar. E o “brinquedo” que ela me levou era o Túnel do Amor. Fala sério.
 Só que não era um Túnel do Amor normal, aonde casais vão para ficarem se amassando no escuro. No parque da nossa cidade o Túnel do Amor pretendia FORMAR casais. Tipo, tínhamos que fazer duas filas: uma para garotos e uma para garotas. As duas filas eram separadas por um muro, para que ninguém visse com quem iria entrar no túnel.
 — Mais um pouco e será a nossa vez. — Ela disse toda animada.
 — Eeeeeba. – Ironizei.
 — Emma. — Olivia colocou a mão no meu ombro e me olhou séria. — Tá na hora da gente arrumar um namorado, né?
 — Eu tinha um namorado. — Protestei. — E eu amo ele.
 — Falou certo: tinha. Mas ele se mudou para o outro lado do país. Ele até deve ter outra namorada. E você está aí dizendo que o ama. E provavelmente ele nunca voltará para cá.
 — Espera aí. — A interrompi. — Você quer me animar ou me deixar pra baixo?
 — Ah, desculpa Emma. — Ela me abraçou. — Eu só queria fazer você abrir os olhos.
 — Eles estão bem abertos. — Encarei Olivia com os olhos arregalados.
 — Não desse jeito, tapada. — Ela riu. — Você me entendeu.
 — PRÓXIMOS. — O carinha que estava cuidando dos “casais” que entravam no túnel gritou.
 — Sua vez. — A Olivia praticamente me empurrou para dentro do túnel. Nisso eu bati em alguém e caí no chão. De bunda.
 — Desculpa. Minha amiga me empurrou. — Falei enquanto o ser {?} me ajudava a levantar.
 — Tudo bem. – Eu conhecia aquela voz. — Vamos?
 Foi então que eu vi a cara dele, e quase caí no chão de novo.
 — Você?! — Olhei para trás e vi com quem Olivia iria entrar no túnel. Com o Alexander, amigo de William (o cara mais lindo do mundo). Pelo menos alguém vai ficar feliz com tudo isso.
 O caso é que eu vou com o William no túnel. Ele pode até ser lindo e tal, mas eu o odeio. É por culpa dele que agora eu sou uma adolescente traumatizada. Estou exagerando, eu sei. Mas eu tive uma infância perturbada e ele é o principal responsável.
 William ainda esperava a minha resposta. Olhei para Olivia pedindo socorro e ela só me mandou seguir em frente. Que amiga eu tenho, não?
 — Já que não tem outro jeito. — Dei de ombros e segui para dentro, e quando estávamos longe dos olhares dos outros fiz questão de me afastar dele.
 — Emma, venha. — Ele entrou no barquinho que só cabem duas pessoas. — Não deve ser tão ruim assim passar 20 minutos do meu lado.
 — Acredite, é sim.
 — Moça, — O carinha que cuidava do túnel me chamou. — é melhor entrar logo, há outras pessoas que querem entrar também.
 — Tá! — Falei de má vontade e sentei ao lado de William, que se aproveitou da falta de espaço para colocar o braço em volta do meu dos meus ombros.
 Nos primeiros cinco minutos fiquei olhando para qualquer lugar que não fosse na direção de William. Ao contrário dele, que me encarava descaradamente.
 — Qual é, Emma? Estamos no túnel do amor. — Ele enfatizou a parte “do amor”. — Podíamos pelo menos conversar.
 — Hunf. — Resmunguei.
 — Não me obrigue a te agarrar. — Apesar de não estar olhando para ele, pude perceber um tom divertido e malicioso naquelas palavras.
 — Não ouse! — Me virei para ele, meu rosto ficando a centímetros de distância do dele. — Não...
 Aaaaaaai... Por que ele tem olhos tão hipnotizantes?
 — Não, William! — O empurrei para longe, como se aquilo fosse mesmo possível. — Sem chance.
 — Me dê um motivo. — Sua voz tinha o tom de quem não acreditava que levou um fora.
 — Eu não quero. Te odeio. E... Eu não quero, ué. Pronto, três motivos.
 — Mas você repetiu um. — William protestou.
 — De qualquer jeito foi mais de um.
 — Hunf. — Foi a vez de ele resmungar e virar o rosto.
 E então eu comecei a rir. Pelo menos eu estava achando aquela situação bem engraçada.
 — Tá rindo do que, louca? — William olhou pra mim, e eu ri mais ainda ao ver sua expressão.
 — Não sei. — Continuei rindo por um bom tempo.
 — CHEGA! — William disse bravo. Não pensei duas vezes e parei.
 — É que eu achei engraçado...
 — Olha, por que a gente não pode conversar? Sei que brigamos no passado. Mas o destino fez com que a gente passasse 20 minutos sozinhos.
 — E você acredita em destino? — Perguntei curiosa. Não sabia que William era disso.
 — Só quando ele me traz coisas boas. — Dito isso ele avançou na minha boca.
 O susto fez com que eu ficasse paralisada, mas não levou muito tempo e minha consciência tinha voltado. Empurrei William de novo.
 — Aposto um beijo que você me quer. — Ele disse de um jeito sedutor, sussurrando no meu ouvido.
 William sorriu ao perceber que eu havia ficado paralisada com aquela atitude dele. Não vou dizer que não gostei. Porque... UAU! Nunca que eu ia imaginar que William era do tipo que fazia joguinhos.
 — Apostado. — Apertei a mão dele, e ele foi se aproximando de mim novamente. — Mas eu não disse que queria você.
 E de novo, William virou o rosto para o outro lado. Dava para perceber que estava pensando, ou melhor: planejando algo. Às vezes ele balançava a cabeça como se não gostasse do pensamento.
 — E que tal isso. — Ele escolhia bem as palavras: — Aposto um beijo que você não fica comigo.
 — Apostado. Espera aí. O QUÊ? — Mal deu tempo de respirar direito e William avançou em minha boca como uma leoa em defesa dos seus filhotes. Ok, péssima comparação.
 Mas era mais ou menos isso mesmo. Dava pra sentir o quanto ele queria me beijar. Não vou mentir. Quando vi o quão lindo ele se tornou deu vontade de agarrá-lo na frente de todos. Mas daí a lembrança da minha infância me veio à mente e eu desisti da idéia. E foi o que aconteceu agora.
 — Não posso. — Preciso dizer que o empurrei de novo?
 — Emma. O que houve? — Ele olhava bem fundo nos meus olhos. — Você quis. Eu percebi. Mas...?
 — William. Eu te odeio desde que éramos pequenos. E não sei se conseguirei te perdoar por aquilo...
 — Me perdoar por o quê? Eu nunca fiz nada contra você.
 — Ah, não é? “Pedaços de revistas espalhados pelo chão de um quarto, com latas de tinta ao lado” não te lembra nada?
 — Do que você está falando? — Passado um minuto ou dois ele entendeu. — Isso faz tanto tempo. E como você disse: éramos pequenos.
 — Você sabe quanto levou para eu convencer os meus pais a me darem todas aquelas revistas do X-men? Eu estava com a metade da coleção completa. E você simplesmente arrancou quase todas as páginas, pintou outras. Não deixou nada.
 — Emma. — William segurou meu rosto firme. — Éramos duas crianças. E... E eu...
 — Você...?
 — Hora de sair, pombinhos. — O cara que cuidava do túnel falou todo alegre, mas não estava tão alegre quando reparou que eu e William não estávamos nos agarrando. — Por que não estão se beijando? Sabe, normalmente os casais até brigam comigo quando chega a hora de sair.
 — Nós dizemos “aleluia”. — Falei, saindo do barquinho depois de William. — William, me espera! O que você ia dizer lá dentro?
 — Não tem mais importância.
 — Vai me deixar curiosa? — É sério. Eu fiquei realmente curiosa.
 — Vou. Olha, o Alexander e a Olivia já estão vindo.
 Esperamos juntos, e em silêncio, o barco dos nossos amigos se aproximarem. Um silêncio estranho se formou, se me permite dizer. Parecia que o William tinha algo muito, mas muito importante para me dizer. Pelo jeito que ele segurou meu rosto, olhou nos meus olhos... não podia ser algo sem importância.
 — Hora de sair, pombinhos. — Ouvimos o cara falando alegre de novo. — Isso é que é casal. — Percebi a indireta quando ele nos olhou.
 — Idiota. — William resmungou. Pelo menos eu entendi como um resmungo.
 Olivia e Alexander quase caíram. Mas como eles queriam caminhar e se beijar ao mesmo tempo? Pareciam dois bobos apaixonados. De qualquer jeito eu fico feliz pela minha amiga.
 — Alexander. — William o chamou. — Vamos, temos que ensaiar.
 — Ensaiar o quê? — Perguntei curiosa.
 — Nós temos uma banda. — Alexander falou, finalmente soltando Olivia. — Mas eu nem sabia que a gente tinha ensaio hoje.
 — Marcaram de última hora.
 — Ah! Então, estamos no começo ainda. Mas acho que podemos conseguir um contrato com uma gravadora logo, logo.
 — Claro que conseguem. — Eu realmente não sabia que a Olivia era tão assanhada. Ela não é – no caso, era – do tipo que vai agarrando os caras primeiros. Deve ser porque ela realmente gosta do Alexander.
 Quantas noites Olivia e eu ficamos conversando sobre Alexander. Na verdade ela falava, eu só ouvia.
 — Como é o nome? — Perguntei para William, já que Alexander não ia me responder.
 — Son of Dork. — Ele respondeu sem me olhar. — Vamos, Alexander. Se chegarmos tarde de novo os caras vão matar a gente.
 — Em quantos vocês são?
 — Somos cinco, Olivia. Tenho que ir, amorzinho. — Alexander falou todo fofo. — EU TE LIGO! — Ele gritou, porque William o arrastava.
 — E então, como foi? — Olivia perguntou toda empolgada.
 — Não foi. — Me virei para ir embora do parque.
 — Como assim? — Ela corria para me alcançar.
 — A gente até se beijou e tal. Mas daí eu me lembrei daquela história com as minhas revistas. E não consegui mais.
 — Mas você queria, certo?
 — Você viu como o William tá super lindo? É claro que eu queria. Mas não deu.
 — Eu acho que você devia esquecer isso. O William parece ser um cara legal. — Olivia me alertou. Claro, ela fala isso porque está super feliz com o Alexander. — Tive uma idéia.
 — Fala. — Revirei os olhos. As idéias dela às vezes eram doidas demais para serem colocadas em prática.
 — Eu peço para o Alexander se a gente pode ir ao ensaio. Aí você conversa com o William. E a gente ainda vê o Son of Dork. O que acha?
 — Tá, tudo bem. — Dei de ombros. — Mas você conseguiu pegar o número dele no meio de todo aquele amasso?
 — Cala a boca. — Ela me deu um pedala, e doeu, se quer saber.

Versão William.
 — Vocês querem vir ao nosso ensaio? — Ouvi Alexander falando no celular. Ele me olhou desesperado. — Vou ver com o pessoal, amorzinho.
 — Diz que sim. — Sussurrei. — Pede para elas irem à sua casa daqui à uma hora.
 — Por que na minha casa?
 — Porque sim. Responde logo, senão o seu “amorzinho” vai achar que a deixou no vácuo.
 — Claro que podem, linda. Vão à minha casa daqui uma hora. Pode ser? — Ele esperou um momento. — Ok, até depois, então. Beijos.
 — Seu amor me enoja. — Brinquei. Mas acho que Alexander não entendeu.
 — Fala isso porque não conseguiu agarrar a Emma.
 — Para a sua informação eu consegui sim. Só que por causa disso que eu fiz quando era pequeno ela não quis mais.
 — E agora você vai tentar concertar isso como...?
 — Espere e verá. Vamos logo... Temos menos de uma hora até elas chegarem na sua casa.
Fim da versão William.

 — Agora que me ocorreu essa idéia.
 — Que idéia, Emma?
 — O que eu vou falar pro William?
 — Sei lá. Chama ele para um canto e o agarre ué.
 — Olivia, você não era assim. — Falei brincando. Ela apenas deu de ombros. — Toca a campainha.
 — Por que eu?
 — A casa é do Alexander. Você toca. Simples.
 — Tá bom. — Olivia bufou e tocou a campainha.
  Um minuto depois Alexander abriu a porta sorridente.
 — Oi, meninas. Entrem.
 — Oi, Alexander. — Falamos em coro e entramos na casa dele.
  Uau. Que grande. Deve ter uma piscina lá atrás. Eu realmente não sabia que Alexander tinha tanto dinheiro assim. Agora boto fé no relacionamento dele com a Olivia. Tá, eu não sou interesseira, mas desejo uma vida confortável para a minha amiga e meus futuros afilhados.
 — Vocês não estão ensaiando? — Perguntei depois de perceber que a casa estava muito silenciosa.
 — Sim. Estamos. Lá no porão. — Alexander respondeu meio nervoso. — Mas é que eu vim para cima para pegar... er... alguma coisa pra gente comer. É. Isso.
 — Quer ajuda?
 — Quero sim, obrigado.
  Fomos até a cozinha dele. Que era igualmente grande. Com geladeira de duas portas e tudo o mais.
 — Podem pegar uns pacotes de salgadinhos naquela porta? — Ele apontou para a tal porta, e eu e Olivia pegamos.
  Vi Alexander pegando só 4 copos, será que estava faltando alguém? Bem que ele poderia pegar copos para mim e para a Olivia também. Que falta de consideração com a visita. Mas acho que ele não queria que víssemos aquilo, pois colocou os copos numa cesta de piquenique, junto com os salgadinhos e o refrigerante.
 — Vamos? — Ele foi em direção ao porão. Olivia e eu o seguimos, que escolha tínhamos?
  Quando chegamos lá em baixo eu não vi guitarras, baixo ou bateria. Só vi uma caixa. E William ao lado dessa caixa.
 — O que está havendo? — Olhei para William.
 — Vocês não tinham ensaio da banda? — Olivia perguntou confusa.
 — Nós mentimos. — Alexander falou abaixando a cabeça, em sinal de culpa.
 — Como assim? Não existe Son of Dork?
 — Não é isso, Emma. — William deu um passo em minha direção. — Son of Dork realmente existe. Mas os ensaios são na casa do Noah, não na do Alexander.
 — Então por que disseram que era aqui? — Olivia estava um pouco assustada. — AI MEU DEUS. Vocês vão seqüestrar a gente!?
 — Seqüestrar? O quê? Não, amorzinho.
 — Não me chame de amorzinho. Emma, vamos sair daqui. — Ela nem esperou a minha resposta, foi sozinha para cima.
 — OLIVIA! — Alexander gritou, e foi atrás dela. Me deixando sozinha com William.
 — Dá para me explicar o que está acontecendo? — Cruzei os braços e fiquei batendo um pé em sinal de impaciência.
 — É melhor eu mostrar. — Não entendi o que ele quis dizer com isso.
 William abriu a caixa e tirou uma revistinha de lá de dentro. A edição número 1 do X-Men.
 — Você...? Por que...?
 — Bom, se eu estraguei as suas revistinhas... Acho que eu deveria comprar outras para você. Sei que é importante.
 — Obrigada.
 — Não tem todas. Falta uma boa parte. Mas já é alguma coisa.
 — Por que fez isso? — O encarei confusa. Não é sempre que o cara que destruiu suas revistinhas te dá várias delas para você voltar com a sua coleção.
 — Porque... sabe... garotos pequenos fazem coisas com as garotas para chamar atenção quando eles...
 — EMMA! — Olivia chegou, para meu azar.
 — O que você quer? — Lancei um olhar furioso para ela.
 — Ah! Você não...? — Ela olhou para William, mas não consegui ver o que ele fez em resposta. — Desculpa. — E voltou para cima.
 — O que você ia dizer?
 — Nada. Por que sempre interrompem quando eu... — Não o deixei terminar. Algo me fez querer ir até onde ele estava e beijá-lo. E foi o que eu fiz. — O quê?
 — Estou pagando minha aposta.
 — Qual delas?
 — “Aposto um beijo que você quer”.
  Até parece aquela coisa de filme de adolescente, não é? Eu o odiava no começo, mas agora o amo. Mas quem não resistiria a um cara que gastou um monte só para te devolver algo que tirou de você? Ainda mais sendo uma coisa banal como revistas dos X-Men.
  Mesmo assim eu amei. Não só a atitude do William. Mas tudo que envolve ele.

Fim.

sábado, 11 de maio de 2013

Capítulo 8 - Afraid - Final

"Olha, não sei qual dói mais. Quando acaba, quando sentimos que acabou, ou quando a gente precisa cair na real que acabou e já faz tempo."

  Passaram-se semanas e tudo estava do mesmo jeito. Perfeito. Eu estava com o Jacob. É, ele não me deixou como eu pensei. Sophia e Ethan firmes e fortes, como sempre. Acho que eles foram feitos um para o outro, que dure para sempre. Michael e Jayden? Nunca mais vi, mas soube que estavam em uma vida boa, saindo em várias festas.
Peguei meu computador e fui mexer no meu e-mail. Nenhuma mensagem nova.
Meu celular tocou.
 — Amor! — Atendi Jacob.
 — Oi, linda! Que tal sairmos hoje?
 — Perfeito, aqui está tão monótono. — Fiz voz triste.
 — Ok, pode ser agora? Sinto a sua falta.
 — Claro! Minha mãe já deve estar chegando do trabalho. Vou falar com ela.
 — Tá, beijo.
 Abri o armário e peguei um lindo vestido. Terminei de me arrumar e desci as escadas ouvindo minha mãe abrir a porta.
 — Filha, tenho uma notícia maravilhosa! — Minha mãe gritou entusiasmada.
  Abri a geladeira e peguei água.
 — O que, mãe? — Coloquei água no copo e me sentei na cadeira.
 — Vamos nos mudar! Não é ótimo?
  Nesse momento me engasguei com a água.
 — Calma, filha! — Ela se aproximou de mim e eu consegui me controlar.
 — Vamos o quê? — Disse ainda tossindo.
 — Nos mudar! Eu consegui um lugar melhor para trabalhar. — Ela falou e sorriu.
 — Mas e o meu colégio, meus amigos, minha vida nesse lugar?
 — Vamos começar uma vida nova, Isabella!
 — Eu não quero uma vida nova!
 — Desculpa, filha, mas isso é bom para nós duas.
  Meus olhos ficaram embaçados e eu perdi a respiração. Subi correndo as escadas com o pouco de fôlego que eu tinha e me tranquei no quarto. As lágrimas desceram no momento que a porta fechou.
  Eu ia perder tudo, justamente quando consegui ser feliz, quando tudo estava perfeito eu tenho que me mudar e arruinar tudo novamente. Me joguei na cama e comecei a chorar desesperadamente.
  Quando me recuperei, desci as escadas e avisei para minha mãe que ia me encontrar com o Jacob.
 — Demorou, hein! — Ele falou assim que eu apareci.
 — Oi, Johnson.
 — O que houve?
 — Minha mãe chegou com uma notícia horrível.
 — O que?
 — Vou me mudar.
 — Espera. Acho que escutei errado. Você o que?
 — Eu vou me mudar, vou para outro lugar.
 — Mas e a gente?! — Ele disse com cara de espanto.
 — Minha mãe falou que eu vou viver uma vida nova. — Meu olho começou a ficar embaçado e, dessa vez, eu não consegui segurar por muito tempo. — Não quero deixar você, amor.
 — Eu também não, Isabella. — Ele quase chorou, mas se conteve.
  Ficamos nos consolando até tarde da noite e depois voltei para casa.
 Acordei com uma mensagem de celular.
 
Primeiro a chuva, depois o arco-íris. Sempre nessa ordem.
Beijos, Sophia.

 Chorei de novo. Com certeza Jacob contou para Sophia. Eu ia me mudar hoje. Não podia fazer mais nada. Eu ai viver em outro lugar. Perder os meus amigos.
 Chegou a hora, peguei as malas e vi Sophia, Ethan e Jacob na porta da minha casa.
 — Amiga, você não sabe a saudade que vou sentir! — Ela falou secando as lágrimas.
 — Aaaaaaai, amiga! — A abracei. — Eu tenho e-mail, se lembre disso.
 — Isabella, te desejo tudo de bom pra viagem e que tudo fique bem lá! — Ethan me abraçou e eu retribui o abraço. — Sabia que sinto saudade das nossas conversas?
 Isso me fez lembrar no meu passado, quando eu era amiga dele. Conversávamos sobre tudo, era perfeito. Foi naquela época também que eu namorava Jacob. Era melhor parar de pensar nisso...
 Chegou a hora de falar com Jacob. Não acreditava que tudo ia terminar assim.
 — Vou sentir sua falta, sabia? — Ele disse me abraçando.
 — Eu também, Johnson. Muita saudade. — Retribui o abraço.
 — Nem na hora de ir embora você me chama pelo nome?
 — Você sabe que eu sempre te chamei assim, isso não vai mudar. — Sorri.
 — Te amo. — Ele me beijou.
 — Também, Johnson. — Demorei em falar Johnson e ele riu.
 — Tchau, Smith. — Ele sorriu.
 — Tchau. Tchau, gente.
 Entrei no carro e fui embora, deixando tudo para trás. Isso não podia terminar assim, poxa! Eu fiz tudo para dar tudo certo e quando eu consigo, vou embora? Droga.
 A nova casa era linda, porém não era ali que eu queria estar.
 — Mãe, vou pra praia.
 — Tá.
  Abri a porta e vi a praia em frente. Andei até a beira do mar e senti a brisa no meu rosto e o som das ondas. Estava sol, mas não tinha quase ninguém, pois o vento estava gelado.
 Dei mais um passo e ouvi um barulho, olhei para baixo e vi um graveto. Peguei e andei para mais perto da água, respirei fundo de comecei a escrever na areia “There's only 1 thing, 2 do, 3 words, 4 you: I love you”
 A musica que Jacob e Ethan fizeram a muito tempo para a aula ficou na minha mente, até porque foi com ela que eu descobri que gostava do Jacob. Olhei para a letra na areia enquanto a onda desfazia tudo. Assim que as letras saíram escrevi: “As easy as 1, 2... 1, 2, 3, 4
  Queria que fosse mesmo tão fácil quanto 1,2,3,4. Pensei.
  Olhei novamente e ouvi um grito, cada vez mais alto.
 — Isabella! — Consegui entender o que ele falava. Olhei para o lado e vi Jacob correndo na areia.
 — Jacob? — Cocei os olhos para ter certeza que era ele.
 Ele chegou perto e me abraçou.
 — Não ai conseguir viver sem você, linda.
 — Eu não acredito que você tá aqui! — Eu o beijei e depois ele sorriu.
 — E dessa vez para ficar.
 — Mas, mas você tem que ficar lá, sua vida é lá. — Falei preocupada.
 — Minha vida não é lá, — Ele me olhou sério. — Minha vida é com você.
  Sorri e o beijei.
 — Ah, Sophia mandou um recado. — Ele parou para pensar qual era. — Ela disse: “Já tá tudo pronto, vou te ver todo mês”
  Quase chorei de felicidade. Jacob ia ficar comigo e Sophia ia me ver sempre.
 — Vai ficar comigo pra sempre, Jacob? — Sim, eu o chamei de Jacob pela primeira vez.
 — Jacob, é? — Ele riu. — Vou ficar com você pra sempre.
  O beijei.
Fim!

Capítulo 7 - Afraid

"Como se resolvesse me declarar em versos que você nunca vai ler."

  Minha cabeça já estava doendo de tanto chorar, mas eu não conseguia voltar para casa. Ele estava a beijando de novo, do mesmo jeito que havia acontecido antes: eu ia a casa dele e passava pelo maldito corredor, virava para o quarto e o via beijando aquela garota que só vivia para me atormentar. E ele estava fazendo isso de novo, do mesmo jeito.
 Levantei devagar até o carro e tentei me recompor do que aconteceu, eu não podia ficar assim por causa de um pegador sem coração.
  Entrei no carro e abri o vidro, quando ouço gritos chamando o meu nome. Olhei pelo retrovisor e vi que Jacob estava correndo desesperadamente até o carro. As lágrimas desceram novamente pelo meu rosto e eu liguei-o. Ia acelerar o deixando lá trás, mas ele apareceu no vidro segurando o carro.
 — Isabella, não foi isso que aconteceu! Por favor, me escute! — Ele suplicava na porta e a vontade de acelerar o carro e deixar ele ali era muito grande.
 — Ah, e o que aconteceu dessa vez? Ela te beijou a força novamente? — Fiz cara de deboche e desliguei o carro.
 — Foi! Me beijou assim que você chamou na porta. — Ele segurou mais ainda o vidro, acho que ele saiba que eu ai sair dali, então tentou me prender lá.
 — Não vou perder o meu tempo ouvindo idiotices suas não, Johnson! — Eu liguei o carro novamente.
 — Não, Isabella! Confia em mim! — O seu rosto era de desespero.
 — Você prometeu, e a beijou. Acha mesmo que eu vou confiar em você? — Acelerei o carro e fui embora o deixando para trás.
 Que ele fique com aquela cobra, que morra com ela, não quero mais perder o meu tempo com aqueles dois frustrados.
 Cheguei em casa e me tranquei no quarto, fiquei um bom por lá. Não queria mais pensar no Jacob, mas ele não saia da minha mente. Tomei um banho demorado, peguei um livro bom e muito grande, para deixar minha mente ocupada por um tempo e deitei na cama para ler. Escutei a campainha da porta tocar, desci as escadas e odiei a minha mãe por não ter comprado uma porta com olho mágico. Abri a porta e dei de cara com Jacob com um rosto de desespero e todo molhado de chuva. O cheiro de terra molhada invadiu a sala e eu limpei as lágrimas do meu olho rapidamente, me achando uma idiota por pensar que ele não ia perceber que eu tinha chorado. Esperei ele dizer alguma coisa, mas ele apenas olhava fixamente para mim. Sem dizer nada. Segurei a porta e a empurrei para fechar na cara dele, porém ele segurou.
 — Bella... — Ele abriu de novo a porta, empurrando-a contra mim.
 — Isabella. — Eu o corrigi, não queria que ele me chamasse pelo apelido, não nessa situação que nos encontrávamos.
 — Me desculpa, tá? Ela me beijou! Eu não gosto dela. Não é dela que eu gosto! É de você. Você...
 — Não é de mim, Johnson... Quando eu cheguei lá vocês estavam se beijando. Não é de mim que você gosta.
 — Isabella, se eu não te amasse você acha mesmo que eu ia vir até aqui a pé, na chuva, só para tentar explicar que você é a mulher da minha vida? Que a Raven é uma problemática que só quer acabar com o nosso amor? Poxa, eu te amo! Amo seus olhos, seu cheiro, seu cabelo, seu jeito. Quando nós namorávamos, ela me beijou e acabou com o nosso relacionamento, eu sofri e muito. Eu te perdi e não vou perder novamente. Não vou.
  Ele se aproximou e eu fiquei sem reação. Jacob segurou meu rosto e me beijou. Seu corpo estava gelado por causa de chuva, mas eu não liguei, só queria aproveitar esse momento. Ele me beijava intensamente e eu não conseguia me separar dele, mas eu tinha que fazer isso, precisava. Empurrei-o para longe de mim.
 — Isabella, eu... — Ele ia começar a falar, mas parou assim que sentiu sua bochecha arder por causa do tapa que dei em sou rosto. Ele colocou a mão na bochecha e olhou para mim com cara de dor. — Desculpa, eu sou um idiota mesmo... Eu merecia isso e sei disso. Vou te deixar em paz. Adeus.
 O adeus que ele disse, me fez desabar.
  Cai no chão e comecei a chorar descontroladamente, não conseguia suportar perdê-lo, de novo... Pelo mesmo motivo, do mesmo jeito. Ele ia embora e eu ia me sentir como se tivesse perdido uma parte de mim.
 — Isabella, por favor. Me dá uma chance, só essa. Eu vou expulsar ela da minha casa e nunca mais vou vê-la! Por favor, só uma chance. Eu te amo. — Ele chorava assim como eu. — Eu te amo de verdade. Fica comigo.
 Eu não sabia o que fazer. Eu o amava, mas ele tinha beijado outra. Se eu desse a chance, ele ficaria comigo de verdade?
  Não tinha outra escolha. Eu o amava.
 — Você é um idiota, como pode fazer isso comigo? — Eu falava entre soluços. — Eu te amo! Você não pode me fazer sofrer assim... Você prometeu!
 — Desculpa. Eu juro que agora vai ser diferente. Ela sai da minha casa e da minha vida hoje ainda. — Ele se aproximou de novo, mas esperou eu o beijar. Ele não queria levar outro tapa, acho. E foi o que eu fiz, o beijei, beijei de novo e mais uma vez... E ficamos assim por um bom tempo.
 — Vai, minha mãe já vai chegar! — Eu o empurrei para fora de casa.
 — Ei. — Ele parou e olhou para mim.
 — Que foi?
 — Eu te amo. — Ele falou, depois sorriu e me beijou de novo.
 — Tchau, seu chato. — Sorri para ele e o empurrei de novo para fora de casa.
  Fechei a porta e me encostei nela, sorrindo abobada. Dessa vez Jacob era meu e não ia o deixar escapar de novo.
  Abri a porta devagar e o vi pulando e dançando no meio da rua. Sorri, fechei a porta e subi para meu quarto.